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Aos 91 anos, Otávio frequenta a escola

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

As mãos calejadas de Otávio Afonso Vieira, de 91 anos, dão origem a uma letra de menino. O aposentado, que já trabalhou como agricultor, auxiliar de limpeza e jardineiro, nunca havia frequentado uma escola até 2018. Desde então, ele decidiu dedicar o seu tempo à aprendizagem e, atualmente, está no 2.º ano do Ensino Fundamental.

Natural de Curvelo, em Minas Gerais, Otávio começou a trabalhar muito cedo, aos 10 anos de idade. "Eu, o meu pai, a minha mãe e os meus 13 irmãos nascemos na roça", complementa.

Aos 27 anos, o irmão mais velho entre os homens resolveu tentar a vida no Interior de São Paulo. Para tanto, conseguiu um emprego em uma fazenda de Júlio de Mesquita. Nesta época, estudar era um sonho inatingível.

Na década de 80, Otávio se mudou para Bauru, onde a sua vida passou a melhorar. "Comecei a trabalhar como auxiliar de limpeza. Fiquei nesta atividade até me aposentar e mais um pouco", revela.

Em dado momento, a esposa de Otávio faleceu, fato que o motivou a deixar o emprego para viver em uma chácara, em Garça. "Veio a vontade de estudar e procurei por uma escola, que me ensinou a assinar o meu nome", narra.

Em seguida, o aposentado retornou a Bauru, onde voltou a trabalhar, desta vez, como jardineiro em uma residência do Shangrilá. "Só parei quando completei 90 anos, por causa de um problema na minha perna", constata.

Inclusive, as duas únicas doenças do idoso são a diabetes e a artrose, que faz com que precise de uma bengala para se locomover. Há dois anos, Otávio decidiu, finalmente, se dedicar à aprendizagem. "Tenho muita vontade de ler e entender a Bíblia", justifica.

LUCIDEZ

Em todo final de tarde, ele caminha oito quadras rumo ao ponto de ônibus. O coletivo, financiado pelo município, o leva até um dos oito polos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), órgão vinculado à Prefeitura de Bauru, situado na região do Jardim Chapadão.

A convivência em ambiente escolar permite, ainda, que o idoso não se sinta só. Embora tenha seis filhos e dez netos, ele vive apenas com a cadelinha sem raça definida Tequila, de 1 ano, em uma casa simples localizada no Jardim Araruna. 

Uma das filhas, no entanto, mora na residência ao lado. Lá, ele almoça todos os dias. "Eu gosto muito de estudar porque me dá vigor. Só tenho um pouco de dificuldade para ler, mas espero melhorar em breve", finaliza.

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