A Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura irregularidades na Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) teve, ontem à tarde, a primeira rodada de oitivas. Foram ouvidos o ex-prefeito Antônio Izzo Filho, os ex-presidentes Arialdo Mercadante e Braz Meleiro, e ainda o ex-diretor financeiro Ricardo Galbino Torres e o ex-gerente jurídico Ronaldo Moraes do Carmo, todos com atuação em algum período entre 1998 a 2004.
Penúltimo presidente a ocupar o comando da companhia antes do longo período de Edison Bastos Gasparini Jr., que ficou no cargo por 14 anos, em três governos, Braz Melero falou sobre uma sindicância aberta pela Cohab em 2007, já na fase em que Gasparini era o presidente, no governo do então prefeito Tuga Angerami. Melero lembrou que Gasparini não repassou os documentos ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) no início de sua administração, o que prejudicou a análise do órgão fiscalizador, que cobrava detalhes do período de 2004, época em que Melero estava no cargo. O ex-presidente citou ainda a redução de cargos comissionados e de despesas no governo de Nilson Costa.
Nos anos seguintes, o TCE rejeitou praticamente todas as contas da companhia, por não mais atender o seu objeto, a construção de moradias. O último núcleo entregue foi o José Regino, em 1995, portanto, a Cohab está sem construir há 25 anos. Mesmo assim, manteve alto número de funcionários nos governos seguintes.
Conforme consta na página da Cohab na internet, Braz Melero ocupou o cargo de presidente entre 2 de abril e 6 de outubro de 2004, no governo de Nilson Costa.
Depois dele, Rubens de Souza voltou à função, que já tinha exercido entre 2003 e o começo de 2004. Gasparini assumiu em 2005 e permaneceu durante os governos de Tuga, Rodrigo Agostinho (PSB), agora deputado federal, e nos três primeiros anos de Clodoaldo Gazzetta, se afastando apenas no final do ano passado, na deflagração da Operação 'João de Barro', do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
INADIMPLÊNCIA
Outro ex-presidente que prestou depoimento ontem foi Arialdo Mercadante. Ele foi presidente entre 23 de setembro de 1999 e 16 de fevereiro de 2000. Em sua oitiva, Mercadante afirmou que a Cohab tinha, naquela ocasião, 52 mil contratos de mutuários - hoje, não passa de 7 mil. Porém, a inadimplência ficava sempre nos 50%, sem ações judiciais contra os devedores. Ele negou que a companhia tenha distribuído algum lucro entre acionistas no período e ainda disse que todos os pagamentos da Cohab eram sempre feitos em cheque, nunca em dinheiro em espécie. O recurso insuficiente, por conta da alta inadimplência, acabou impedindo alguns pagamentos, entre eles o do seguro habitacional.
'CABIDÃO'
Durante as oitivas, os depoentes destacaram que no período inicial analisado pela CEI - até 2004 - o número de funcionários continuava elevado, chegando a passar de 300 servidores. A Cohab chegou a ter 93 cargos comissionados, de livre nomeação.
Atualmente, a companhia tem 64 funcionários, sendo que parte está em fase de demissão - cerca de 20% do total - e tem poucos cargos comissionados.