Fábio Marmontel é referência quando se fala em artes marciais na cidade de Bauru. Faixa preta quarto grau, aos 43 anos, e com quase 25 de carreira no jiu-jítsu, ele é um dos mais graduados e experientes na modalidade, além de colecionar conquistas marcantes, como a Copa do Mundo, em 2007, e a World Cup, em 2010.
Durante sua trajetória como atleta, Marmontel teve que superar alguns obstáculos para chegar ao pódio, como as dificuldades financeiras e os atletas que estavam mais bem preparados em combate. Entretanto, uma dificuldade pessoal exigiu grande esforço de superação, em 2016: um câncer na orofaringe, que obrigou seu afastamento dos tatames pelo período de seis meses. O lutador, porém, não baixou a guarda.
"Meus médicos pediam que eu não treinasse, que eu me afastasse, mas eu continuei treinando. Eu enfrentei o câncer como se fosse um adversário no tatame. E graças a Deus eu saí vitorioso dessa maior luta da minha vida", relembra.
Marmontel encontrou no jiu-jítsu e em seu histórico como atleta a força para superar os processos de quimioterapia e radioterapia, necessários para a cura do câncer, além de contar com o apoio da esposa, que é nutricionista e o auxiliou na alimentação. Pouco tempo depois, ele já estava curado e competindo novamente.
"Eu acabei meu tratamento no dia 9 de dezembro de 2016. Em 20 de dezembro eu já estava treinando. Ninguém acreditava, nem meus médicos. Em maio de 2017 já estava competindo o Campeonato Brasileiro de Jiu-Jítsu. Hoje, eu faço acompanhamento. Tenho todos meus exames normais. A gente faz todo acompanhamento que tem que fazer durante dez anos. Mas, eu me sinto bem e não tenho sequelas", relata.
O filho de Marmontel, Otávio Marmontel, que também é atleta de jiu-jítsu, tinha oito anos em 2016 e atualmente tem 12, não ficou sabendo do que aconteceu na época e não tem conhecimento até hoje. "Eu sempre tive medo de meu filho saber", revela.
TRAJETÓRIA
Fábio Marmontel começou a praticar jiu-jítsu em 1996, aos 18 anos, por indicação de um amigo que havia começado a treinar a modalidade. Após algumas dificuldades de adaptação no início dos treinos, logo se destacou nas primeiras competições e passou a se dedicar ao esporte de forma profissional, com participações e títulos em competições nacionais e internacionais de expressão.
Durante um tempo, conciliou a vida de esportista com a de corretor de imóveis. Atualmente, entretanto, o lutador tem a chance de viver voltado para o esporte, administrando e dando aulas em sua academia de artes marciais. Além disso, ainda é atleta e compete na categoria máster, voltada para aqueles que têm mais de 30 anos.
"Hoje o máster é uma categoria mais competitiva do que o adulto. Pelo crescimento do jiu-jítsu, tem muito atleta da minha época que cresceu e hoje é faixa preta. Então, tem muito casca grossa. Muitos caras bons. A única diferença é o tempo de luta. Na Federação Internacional de Jiu-Jítsu, você tem uma luta de 10 minutos para o adulto e o máster a partir de seis minutos", explica.