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Dirigentes esportivos, atletas e comitês olímpicos nacionais têm se manifestado nos últimos dias a favor da mudança de data dos Jogos de Tóquio, no Japão. O impacto de pandemia do coronavírus tem criado uma pressão sobre o Comitê Olímpico Internacional (COI) para mudar a data do evento, previsto para começar no dia 24 de julho. Apesar do ambiente de cobrança, as federações internacionais das modalidades ainda não se manifestaram sobre o tema.

Atletas da natação e do atletismo, as duas provas mais nobres das Olimpíadas, já começam a demonstrar seu descontentamento com a postura do COI em não mudar a programação dos Jogos de Tóquio. Por causa da pandemia de coronavírus, muitos estão tendo de ficar em isolamento e sem possibilidade de treinar. Os clubes esportivos também estão fechados.

"É um ano que representa muito para nós, atletas de alto rendimento. Eu não sou a favor. O mundo grita para uma outra situação, focada na saúde. Nosso planejamento está sendo recuado. Muita gente sem piscina e sem poder treinar, ou seja, sem conseguir seguir os planos de treinamento. Não cabe a mim decidir, mas sim falar sobre. Quanto mais a gente se unir e olhar para o próximo, vamos passar por essa", disse a nadadora brasileira Etiene Medeiros.

CRÍTICAS

O Japão tem a previsão de receber mais de 600 mil estrangeiros durante o período e garante até o momento que não pretende mudar a data. A postura irredutível tem irritado personalidades do esporte a ponto de, na última terça-feira (17), representantes de comitês olímpicos nacionais debaterem em uma videoconferência o risco de se realizar um evento tão grande durante uma pandemia.

"As notícias que recebemos todos os dias são desconfortáveis para todos os países do mundo, mas para nós, o mais importante é que nossos atletas não podem treinar e celebrar os Jogos em condições desiguais. Queremos que a Olimpíada aconteça, mas com segurança", disse o presidente da entidade espanhola, Alejandro Blanco. Segundo o dirigente, os atletas locais estarão em desvantagem nas Olimpíadas pois não têm conseguido treinar. A maioria está em confinamento, para evitar o contágio.

O Comitê Colombiano também manifestou preocupação com a realização das Olimpíadas. O pedido deles é para deixar a competição para depois. "A decisão mais prudente e, é claro, a mais respeitosa do Comitê Olímpico Internacional e dos organizadores de Tóquio é adiar os Jogos, caso não possam garantir a participação sem riscos", afirmou Baltazar Medida.

Potência olímpica, a Grã-Bretanha aumenta a lista de países que têm apelado para adiar os jogos. Em entrevista ao jornal The Guardian, o diretor da UK Athletics, órgão que rege o atletismo no Reino Unido, Nic Coward, revelou sentir uma angústia nos atletas. "Com o fechamento das instalações, a capacidade dos atletas de obterem a melhor forma possível é comprometida na melhor das hipóteses. Isso está criando pressão intensa. As pessoas precisam entender isso", comentou.

O país com mais mortes no mundo pelo novo coronavírus, a Itália, também pensa parecido. Presidente do comitê olímpico local por 14 anos e atual presidente da federação nacional de basquete, Giovanni Petrucci fez críticas pesadas. "Eu não sou contra a Olimpíada, mas dizer que a Olimpíada ainda vai continuar é um grande erro de comunicação", disse. "Não sou o único que pensa assim. Outros simplesmente não querem dizer isso", acrescentou.

 

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