Reinaldo Cafeo

Covid-19: bancos na retranca


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Não obstante todas as ações do Banco Central brasileiro notadamente no aumento da liquidez do mercado, na prática os bancos estão na retranca. Alguns chegaram a majorar as taxas de juros e estão extremamente seletivos na concessão de crédito. O próprio Ministro da Economia, Paulo Guedes, abriu negociação com as maiores Instituições Financeiras do País visando encontrar uma forma do dinheiro chegar às empresas que sentiram mais fortemente o impacto da quarentena imposta pelos órgãos de saúde.

medo de calote

Em uma linguagem financeira há por parte dos bancos "aversão ao risco". Mesmo com dinheiro em caixa, boa parte vinda da devolução de um percentual dos depósitos compulsórios, as Instituições Financeiras preferem não emprestar o dinheiro e quando o fazem, exigem elevadas garantias, e como colocado, majoram as taxas de juros. Se de um lado o Banco Central fez sua parte, reduzindo taxa de juros e injetando mais dinheiro na economia, de outro lado se não houver algum tipo de intervenção governamental, a coisa não acontece. Vamos acompanhar.

estagnação econômica na Ásia

Se a projeção de estagnação econômica na Ásia se confirmar será a primeira vez que isso ocorre desde os anos de 1960. Os dados são do Fundo Monetário Internacional (FMI) e será o efeito prático da pandemia do novo coronavírus. A região, notadamente a China, sempre apresentou números robustos no tocante ao crescimento econômico. Isso movimenta não somente as economias daquele bloco econômico, mas também o resto do mundo que exporta volumes consideráveis para aquela região. Estudos indicam que a China, isoladamente, terá crescimento na ordem de 1,2% este ano diante de uma projeção anterior superior a 6%. Tempos difíceis pela frente.

montadoras estendem fechamento

Com a produção parada desde o final de março, as montadoras de veículos no Brasil optaram, em sua maioria, por estender o período de férias de seus funcionários, agora até junho, com isso se manterão sem atividades produtivas até lá. Os dados de março divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea) apontaram para redução de 90% das atividades do setor na comparação da segunda quinzena com a primeira quinzena.

queda nas vendas do varejo em Bauru

Sondagem da Associação Comercial de Bauru apontou que o varejo local apresentou queda de 24% nas vendas em março se comparado a fevereiro deste ano. Quando o mês foi dividido em quadrissemanas o quadro se agravou: a última semana de março apresentou queda média de 52% se comparado a idêntico período do mês de fevereiro e tendo ainda um agravante: a última semana de fevereiro foi o período do carnaval, tendo, portanto, menos dias úteis.

Coronavírus: início de abril desanimador

Na mesma sondagem acima mencionada, que traz dados preliminares de abril (primeira semana) aponta para queda média de 43% nas vendas do varejo. O quadro não é pior devido ao bom desempenho de vendas nos supermercados, lojas de material de construção e farmácias.

Pense na retomada

Em meu artigo da última quinta-feira aqui no JC abordei exatamente este tema: é hora de pensar na retomada. É certo que muitas empresas "quebrarão", mas é certo também que aquelas que sobreviverem a este período terão que repensar seus negócios. Para isso não é preciso esperar a pandemia passar, pelo contrário, agora é hora de estabelecer novas metas, analisar a estrutura mínima para seguir com os negócios e acima de tudo estabelecer novas práticas em seus negócios. Não perca mais tempo: reúna seu time de colaboradores (mesmo que virtualmente) e revisite seu planejamento.

Mude já, mude para melhor!

Vivemos um tempo de aprendizado. A quarentena pode nos levar a rever o estilo de vida. Estamos sentido na pele que podemos viver com menos supérfluos. Por outro lado, é hora do olhar solidário, não tenham dúvidas que o número de pessoas miseráveis crescerá e o abismo social no Brasil irá se acentuar. Sejamos sábios para revermos nossas crenças e até mesmo os nossos valores. Sempre é tempo para mudar. Mude já, mude para melhor!

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