Internacional

Itália apura milhares de mortes em asilos

FolhaPress
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Milão - Ao mesmo tempo em que começa a programar sua saída gradual da quarentena, a Itália lida, nos últimos dias, com denúncias e investigações de irregularidades que já causaram milhares de mortes dentro de asilos.

Há relatos de que faltaram dispositivos de proteção para funcionários que entravam e saíam dos asilos, não realização de testes do coronavírus, permissão para visitas, transferência de pacientes positivos para dentro dessas moradias e até a proibição, por dirigentes, do uso de máscaras e luvas, nos primeiros dias da epidemia, para evitar o "pânico" entre idosos.

Segundo o Instituto Superior de Saúde, entre 10 de fevereiro e 14 de abril, morreram quase 7 mil idosos em asilos de todo o país, sendo 3.045 na Lombardia. No total, 40% dos óbitos são de casos confirmados de Covid-19 ou suspeitos com sintomas.

Os números, no entanto, tendem a ser maiores. O levantamento leva em consideração dados de 1.082 casas de repouso. A Itália tem 4.629 residências sanitárias assistenciais, como são chamadas as estruturas públicas e privadas que cuidam de idosos.

De acordo com a pesquisa, as principais dificuldades na gestão do coronavírus dentro dessas residências estão relacionadas à falta de informações sobre como proceder para conter a infecção, falta de dispositivos de proteção pessoal e dificuldades para isolar casos positivos e/ou realizar exames.

Diretor-geral-assistente da OMS (Organização Mundial da Saúde), o médico italiano Ranieri Guerra, especialista em saúde pública, definiu a situação como um massacre. Diferentemente de países como Espanha e EUA, onde a chegada do coronavírus foi marcada pela disseminação dentro e a partir dessas estruturas, na Itália a contaminação dos asilos ganhou força no decorrer da emergência sanitária.

 

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