Os grandes clubes paulistas fazem ajustes em meio à crise financeira causada pela paralisação dos campeonatos em função da pandemia se coronavírus. Palmeiras e Corinthians anunciaram nesta quinta-feira (30) uma redução salarial de 25% no departamento de futebol em função da queda nas receitas. O São Paulo já havia feito acordo para suspender o pagamento dos direitos de imagem do elenco. O Santos antecipou férias e adiou pagamentos.
PALMEIRAS
No Palmeiras, o acordo engloba os salários dos meses de maio e junho de todo o elenco, além da comissão técnica, comandada por Vanderlei Luxemburgo, e dos departamentos financeiros e jurídicos. Além disso, o clube vai alterar a distribuição dos pagamentos de direitos de imagem do elenco. Todos esses acertos foram costurados em acordo com os atletas e membros da comissão técnica.
Em férias coletivas desde 16 de março, o Palmeiras explicou ainda que fará reduções salariais em outros departamentos do clube, como funcionários das áreas financeira e jurídica. A porção do desconto ainda será discutida. Já o corte de 25% dos valores registrados na carteira de trabalho vale também para os dois responsáveis pelo departamento de futebol: o gerente Cícero Souza e o diretor Anderson Barros.
"Vivemos um momento de uma crise de grandes proporções no mundo. Vários segmentos estão sendo afetados e com o futebol não é diferente. Existem situações em que disposição e comprometimento são imprescindíveis para se chegar a um bom termo. Temos que pensar no todo para conseguirmos avançar em direção a um benefício maior. A maturidade do nosso elenco foi fundamental para que chegássemos a uma solução boa para todos", disse o presidente Maurício Galiotte.
CORINTHIANS
O Corinthians comunicou a redução de 25% no salário dos jogadores profissionais. A medida já era discutida e foi oficializada em meio aos problemas financeiros e endividamento que o clube vem sofrendo e que se agravaram com a paralisação forçada dos campeonatos, em função da pandemia do coronavírus. "Sensibilizados pelo momento atípico enfrentado em todo mundo, os jogadores estão dispostos a manter aberto o canal de negociação", afirmou o Corinthians em nota oficial.
A decisão da diretoria do Corinthians afeta o salário registrado na carteira de trabalho, mas não o valor relativo aos direitos de imagem do elenco profissional. Já o corte nos vencimentos da comissão técnica foi de 70%. "As medidas serão reavaliadas, conjuntamente, de acordo com a perspectiva de retomada dos eventos esportivos com a devida autorização das autoridades públicas de saúde", acrescenta o clube na nota.
Na última quarta-feira (29), o Corinthians já havia divulgado um comunicado que revelava o aguardo do fim das férias dos atletas para o agendamento de uma reunião e se ter uma definição em conjunto sobre qual seria a melhor saída. Contudo, a medida foi repensada em menos de 24 horas e acordada unanimemente com jogadores. Antes, o Corinthians já havia comunicado corte de 70% nos salários de funcionários de outras áreas do clube.
SÃO PAULO
Anteriormente ao rivais, no último dia 21, o São Paulo fez acordo para suspender o pagamento dos direitos de imagem, que correspondem a até 40% do salário dos jogadores. Os contratos em carteira do elenco são-paulino foram reduzidos em 50%, com a previsão que essa diferença seja quitada quando o futebol voltar à normalidade.
Paralelamente aos ajustes, o São Paulo acertou a renovação de dois patrocínios, acordos importantes no atual momento de crise do futebol. Com a construtora MRV renovou e ampliou contrato, que se encerraria ao término de abril, passa a ser válido até o fim de 2020 e agora passa a contemplar as equipes de futebol feminino e basquete masculino do clube.
Recentemente, o São Paulo também havia renovado o seu contrato de patrocínio até o fim do ano com o Banco Inter, que ocupa a parte principal da camisa do clube, faz parte do mesmo grupo empresarial da MRV e apoia o time desde 2017.
SANTOS
O Santos informou que também adota dispositivos da Medida Provisória 936. O texto, editado pelo governo federal para tentar amenizar os impactos da crise durante o isolamento social, permite que empresas reduzam jornadas e salários em até 70% por três meses e suspendam contratos de trabalho por dois meses.
O clube antecipou as férias dos seus atletas e, conforme permite a MP, irá pagar o terço adicional sobre as férias no mês de dezembro. Procurado pela reportagem, o clube não retornou até a publicação deste texto. Até a semana passada, planejava propor uma redução de até 50% do salário para atletas e funcionários.
Todos os quatro clubes afirmam terem pago os salários em regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) de março (quitados no início de abril).