Um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro voltar a desrespeitar e a atacar o distanciamento social, o ministro da Saúde, Nelson Teich, afirmou que a política oficial do governo federal é a de manutenção dessa medida para enfrentar a pandemia. "A gente tem deixado claro que não existe mudança de política em relação ao distanciamento, tem de ser mantido", disse, em Manaus.
As declarações de Teich repetem o roteiro do seu antecessor, Luiz Mandetta, demitido por Bolsonaro após defender enfaticamente o isolamento, medida criticada pelo presidente. Como tem sido a praxe, neste fim de semana, Bolsonaro voltou a desafiar o isolamento social e a promover aglomerações. No sábado (2), ele visitou duas cidades de Goiás, onde cumprimentou apoiadores e gerou tumulto. No dia seguinte, cumprimentou simpatizantes reunidos em frente à Praça dos Três Poderes.
Teich afirmou que o governo federal tem recursos escassos para o combate ao coronavírus e precisa otimizar o funcionamento das estruturas disponíveis antes de falar na implantação de hospitais de campanha. Em sua primeira viagem oficial desde que tomou posse, Teich visitou hospitais da Capital amazonense que tratam pacientes da Covid-19, que já deixou 584 mortes no Estado do Amazonas, com 7.242 casos confirmados.
Apesar da dimensão do problema, o governo federal ainda não montou o hospital de campanha no Estado que foi prometido no mês passado pelo então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que depois foi substituído por Teich. "Não posso mandar mais do que eu consigo botar para rodar rapidamente, senão eu tiro de outras partes do País. O mais importante de tudo é o que eu consigo botar para operar agora", disse o ministro, segundo nota publicada no site do Governo do Amazonas.
O Amazonas tem sofrido com uma das situações mais dramáticas geradas pela pandemia de Covid-19 no país, com a capital Manaus tendo de enterrar cadáveres em valas comuns. O Estado foi o primeiro a declarar que seu sistema de saúde havia entrado em colapso, no início de abril, quando autoridades locais de saúde apontaram para um descumprimento das medidas de isolamento social por parte da população.