Brasília - O presidente da República, Jair Bolsonaro, voltou neste sábado (23), a defender o uso da cloroquina no tratamento contra a Covid-19. O presidente deixou o Palácio da Alvorada para se encontrar com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos. O presidente saiu da residência oficial por volta das 16h e foi a uma quadra na Asa Sul, onde o ministro mora. Juntos foram a uma confeitaria e, em seguida, para o apartamento do ministro.
Ao deixar no período da tarde o Palácio da Alvorada, Bolsonaro parou para cumprimentar populares. Entre o grupo, havia uma família que diz ter sido contaminada pelo novo coronavírus e que tomou o medicamento no tratamento.
Após falar com os populares, Bolsonaro se aproximou da imprensa, mas afirmou que não responderia pergunta dos jornalistas e que falaria apenas com os cinegrafistas. Ao ser questionado sobre o uso da cloroquina, o presidente afirmou que tem ouvido testemunho de muitas pessoas que o procuram para relatar o sucesso do medicamento no combate à Covid-19 e que foram curadas.
Segundo ele, a doença está matando muitas pessoas. Ele contou um episódio da Guerra do Pacífico em que soldados chegavam feridos e não tinha sangue para doação. "Então, o cara pegou água de coco e meteu na veia dele. E deu certo. Se fosse esperar um protocolo, uma comprovação científica, iam morrer milhares", afirmou.
Na última quarta (20), o Ministério da Saúde divulgou documento em que defende o uso da hidroxicloroquina para todos os pacientes com Covid-19, mesmo os com sintomas leves da doença.
Na sexta-feira (22), as prefeituras de Rio, Porto Alegre e Florianópolis divulgaram nota técnica conjunta instruindo seus agentes da Atenção Primária à Saúde (APS) a não receitarem cloroquina e hidroxicloroquina, especialmente em associação com a azitromicina, a pacientes com coronavírus.
"Ressaltamos o risco que a prescrição de medicamentos e exposição a seus efeitos colaterais pode trazer. Inclui-se a incidência de arritmias cardíacas", diz a nota.