Para o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a operação da Polícia Federal contra seu colega Wilson Witzel (PSC-RJ) indica uma escalada autoritária por parte do governo de Jair Bolsonaro. "Independentemente da análise, e toda investigação necessária deve ser feita onde há suspeita, a operação que foi anunciada antecipadamente por uma deputada aliada, e comemorada pelo presidente, insinua a escalada autoritária e isso é preocupante", afirmou o tucano.
Ele se referiu ao fato de a deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP) ter indicado que haveria ações contra governadores em entrevista na véspera, e porque Bolsonaro parabenizou a PF pela operação nesta manhã de terça (26).
Doria é, ao lado de Witzel, o mais vocal adversário político de Bolsonaro na condução da crise da pandemia do novo coronavírus. Ambos, que são presidenciáveis para 2022, foram xingados pelo mandatário máximo na reunião ministerial de 22 de abril, assim como o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB).
Para o governador, a sinalização da operaçãoe é grave. "A utilização da PF para intimidar adversários, seja na política ou fora dela, deve ser condenada pela sociedade", disse o tucano.
A fala de Doria encontrou eco nas conversas entre governadores. Flavio Dino (PCdoB-MA), por exemplo, enfatizou o aspecto da antecipação e da comemoração da operação como algo que compromete a lisura da investigação. Muitos se mostraram preocupados com o atual cenário.