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Produção no campo segue na quarentena e hortifrúti gera oportunidades de negócio

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

O agronegócio, que tem grande peso no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, superior a 21%, mostra força e alternativas para enfrentar o período mais difícil da economia neste século. O abate bovino segue estável e o hortifrúti se mostra lucrativo. Mas houve retrações em alguns segmentos, principalmente na ovinocultura e dos pequenos produtores, de acordo com o Sindicato Rural.

Em Bauru, o agronegócio traz exemplos de empreendedores que atravessam bem a crise com colheita de hortaliças para condomínios e teve gente que foi além, deixando o desemprego para gerar oportunidade de negócio.

Foi o caso de Bruna Ortiz, 32 anos, natural de Jacuba, distrito de Arealva, que veio morar em Bauru com o marido Dioni Gonçalves no começo de 2020, antes da pandemia. Ela estava desempregada há bastante tempo e com as publicações dos decretos de fechamento do comércio e o avanço do coronavírus, ela enxergou uma oportunidade de negócio e criou o próprio serviço. Bruna lançou a Quitanda Delivery, microempresa que nasceu na crise. A proposta é de levar frutas e legumes até os clientes de quarentena.

De forma inteligente, ela organiza os pedidos que chegam pelo Instagram, WhatsApp e busca os produtos fresquinhos no Ceasa Bauru. Bruna faz um mapeamento da rota de entregas e, com isso, economiza tempo e combustível. O resultado é uma taxa pequena do delivery, de apenas R$ 2,00.

"Consegui encontrar uma forma de trabalhar ao ver que as pessoas estavam evitando sair de casa. Então me propus a fazer o delivery, levando comodidade e preço baixo. E tem dado supercerto", comenta. O telefone para pedidos é 98840-7164.

AQUECIDO

Para o produtor Pedro Lino, de 74 anos, que é co-proprietário de 3/4 de alqueire de terra produtiva de diversas hortaliças, na região dos Villaggios, as vendas seguiram aquecidas na pandemia porque as pessoas procuram se alimentar bem. Ele planta alface, rúcula, couve, almeirão, chicória, cheiro-verde, hortelã, manjericão e salsinha. Lino tem uma clientela fiel e até costuma entregar naquela região. A horta fica na avenida Affonso José Aiello, 8-100.

Telefone é 99648-0057.

IMPACTO

O "novo normal", a partir de agora, obriga produtores rurais a se dedicarem mais em informatização. Segundo José Maurício Lima Verde Guimarães, diretor do Sindicato Rural de Bauru e pecuarista, os produtores demoraram para se acostumar com as mudanças. E o grande desafio é o uso maior de ferramentas tecnológicas e o uso da internet, para ampliar opções de vendas.

De acordo com ele, o setor de ovinos (ovelha) teve uma grande retração porque o corte é muito destinado para restaurantes e casas gourmet, que estiveram fechadas por 70 dias na quarentena. Já a produção bovina não foi afetada significativamente, porque o consumo foi considerado bom. O mercado chinês continuou consumindo muito.

Lima Verde destaca que a alta do dólar, por meio da exportação, ajudou a minimizar o impacto causado pelo mercado interno.

"Aqui em Bauru temos uma pecuária forte, que resistiu bem. Já os pequenos produtores sentiram o peso da crise, dos fechamentos dos estabelecimentos. Já na região, segue aquecida a plantação de eucalipto. A procura é grande por arrendamento de terras e vendas do produto", comenta.

MUDANÇAS

José Maurício acrescenta que o agropecuarista é um eterno "teimoso", que não desiste da produção. Mas também chama a atenção dizendo que o "mundo mudou", com relação às formas de trabalho.

"Os produtores precisam se especializar mais. Ficar mais competitivos. Informatização é fundamental. Precisamos ter uma união mais forte, como cooperativas e grupos de compra e venda", destaca.

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