Jaú - A Santa Casa de Jaú (47 quilômetros de Bauru) está restringindo agendamento de cirurgias em razão do baixo estoque de anestésicos e relaxantes musculares, medicamentos também usados no procedimento de intubação de pacientes graves com a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.
Em nota divulgada à imprensa nesta segunda-feira (8), a direção do hospital informou que está solicitando aos seus colaboradores para que sejam agendadas cirurgias somente nos casos de "extrema urgência".
A medida, segundo a Santa Casa, se deve à "escassez de matéria-prima no mercado mundial em relação a anestésico e relaxante muscular". "Temos estoque dessas medicações somente para uma semana", diz.
O hospital ressalta que esta é uma realidade nacional e não apenas de Jaú. A reportagem apurou que um desses anestésicos que está com estoque baixo é a Fentanila, que é utilizada em intubações e cirurgias.
O preço do medicamento dobrou de março para abril em razão da pandemia da Covid-19 e, mesmo com os valores mais altos, gestores hospitalares vêm relatando dificuldades para encontrar o remédio no mercado.
AÇÕES
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde disse que intensificou o monitoramento dos estoques de medicamentos utilizados em unidades hospitalares - principalmente naquelas que estão à frente do combate à Covid-19. "As unidades estão abastecidas. Para auxiliar os hospitais, a Coordenadoria de Assistência Farmacêutica fez uma força-tarefa e adquiriu 6,5 milhões desses medicamentos, incluindo remédios utilizados em pacientes entubados", afirma.
"A Pasta seguirá empenhada para que as unidades mantenham todos os medicamentos e materiais necessários para atendimento à população. Também informou ao CONASS (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) as medidas tomadas, solicitando inclusive apoio do órgão para articulação junto ao governo federal".
A reportagem apurou que, na última sexta-feira (5), a Comissão Intergestores Bipartite de São Paulo (CIB), formada por membros da Secretaria Estadual de Saúde e pastas municipais de saúde, enviou ofício ao Ministério da Saúde solicitando medidas urgentes para recompor os estoques dos medicamentos usados para intubação nos hospitais com leitos de UTI reservados para pacientes com Covid-19.