Após vários dias atingindo taxa de ocupação de 100% em suas enfermarias, o Hospital Estadual (HE) de Bauru realizou uma manobra emergencial, expandindo de 31 para 74 seu número de vagas clínicas reservadas para a Covid-19. A ampliação parte de um rearranjo com base no esvaziamento de leitos comuns da enfermaria do hospital. Com isso, outras especialidades precisaram ter o atendimento reduzido.
Com a manobra, a ocupação na enfermaria, que, desde a primeira semana de junho, registrava superlotação, caiu. Nesta terça-feira (16), 58% dos leitos clínicos estavam ocupados (43 das 74 vagas existentes). Em tempo: a taxa de ocupação da UTI era de 72% (28 leitos ocupados dos 39).
PLANO DE CONTINGÊNCIA
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, um plano de contingência foi colocado em prática pela diretoria do HE e, agora, a Covid-19 também é atendida no terceiro andar hospital. Antes disso, apenas o segundo andar todo era reservado para a doença, além de uma ala no primeiro andar.
Presidente da Famesp, Antonio Rugolo Júnior explica que o hospital tem, ao todo, 280 leitos de enfermaria, dos quais 74 estão reservados apenas para a Covid.
"São leitos clínicos que foram tirados de outras patologias. Abrigavam, por exemplo, pacientes com pneumonia, diabetes descompensado, entre outros", confirma Rugolo, explicando que a enfermaria não tem espaço para ampliação física. "Mas é um processo gradativo de liberação e feito conforme as altas médicas dos pacientes. Começou a ser computado ontem (anteontem), mas nós já pensávamos nisso. No último final de semana mesmo, voltamos a passar dos 100% de ocupação", completa o presidente da Famesp.
Ele garante que o HE, contudo, não tem descumprido mandado judicial para internação. Diz ainda que a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) encaminhará o excedente relacionado a outras especialidades para unidades médicas com vagas na cidade ou na região.
ISOLAMENTO INFERIOR
Segundo o JC apurou, o HE se esforçou ao máximo para garantir o isolamento do espaço que abriga os novos leitos para Covid-19, colocando até um paciente por quarto. Contudo, na mesma ala e andar, há trânsito de equipes que não atuam diretamente com a doença, assim como pacientes de outras patologias. O fato faz com que o isolamento seja inferior ao praticado, por exemplo, no segundo andar do HE, onde o local todo é restrita para o coronavírus.
Rugolo não nega o problema e explica que o fluxo no novo espaço reservado para a Covid-19 tem sido evitado, mas que o fechamento da ala toda é cogitado para ampliar a segurança.
A grande expectativa da Famesp, contudo, é de que o Hospital das Clínicas (HC) seja ativado antes. "É muito importante a abertura do HC, porque aí voltamos com nossa enfermaria ao normal e ao atendimento sem prejuízo para outras patologias", ressalta Antonio Rugolo Júnior.
GESTÃO DE LEITOS
Em nota, o Estado diz que mantém esquema especial de gestão de leitos hospitalares, para dar prioridade à internação de pacientes com quadros respiratórios agudos e graves, com suporte da Cross para as transferências.
E que eventuais transferências inter-hospitalares e intermunicipais de pacientes "serão feitas se e quando houver necessidade, pela Cross, sistema online que funciona 24 horas por dia e que verifica vagas disponíveis em hospitais do SUS em SP".