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Paciente relata drama e batalha de família contaminada pela Covid-19

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Ela quis ajudar, mas acabou internada com suspeita de Covid-19. A estudante K.C.S.O. - a paciente preferiu divulgar apenas a iniciais -, de 39 anos, serviu como apoio a quatro membros da própria família, todos residentes em Bauru, enquanto se submetiam ao tratamento da doença. Um deles, uma idosa de 75 anos, morreu na segunda-feira (6). Na tarde deste sábado (11), foi a vez do seu pai, de 66, sucumbir.

A entrevista com K.C.S.O. - que diz ter tomado os cuidados necessários, mas não conseguiu evitar a própria hospitalização - ocorreu antes do último óbito. Em um leito de enfermaria desde o último domingo (5), ela concedeu entrevista escrevendo pelo WhatsApp, porque faltava ar para conversar por telefone ou mensagem de voz.

Contou que tudo começou há cerca de 20 dias, quando o seu primo, de 42 anos, estava com dor nos rins e nas costas. Na ocasião, o pai de K.C.S.O., de 66 anos, teve contato com o rapaz. Entretanto, não há como afirmar que a família tenha se infectado por ele, já que sempre tomou todos os cuidados e o vírus circula na cidade.

O primo mora com a mãe, a irmã e o sobrinho. Depois de alguns dias, ele piorou e precisou ser internado. No hospital, testou positivo para a Covid-19. "Como a minha prima, irmã dele, não sabe dirigir, eu resolvi ajudá-la neste sentido", conta. 

O pai da estudante de Enfermagem também ficou mal, com calafrios, tosse seca e dor no corpo. Diante disso, procurou ajuda na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bela Vista. No local, se submeteu ao RT-PCR e voltou para casa, onde vive vive com a mãe de K.C.S.O..

No dia seguinte, o paciente precisou retornar à unidade para receber o resultado do exame. Como ele não estava bem, a estudante de Enfermagem se ofereceu para levá-lo até lá.

Ele testou positivo e o seu raio-X apresentou alterações. Ainda assim, recebeu alta e deu continuidade ao tratamento em casa. No mesmo dia, ele passou mal e foi para o Posto Avançado Covid-19 (PAC), onde ficou internado. Na madrugada, acabou transferido para um hospital, mas conseguiu se recuperar e teve alta.

Depois, a mãe do primo, de 75 anos, sentiu febre e falta de ar. A estudante de Enfermagem a levou até um hospital, onde ficou internada. A idosa usava marca-passo e era obesa. Ela morreu na última segunda-feira (6) e testou positivo para a Covid-19.

Em seguida, a irmã do primeiro paciente, cuja idade não foi informada, apresentou dor no corpo, falta de ar e febre. Obesa, ela testou positivo para a doença e permanece isolada em casa. Por precaução, deixou o filho na residência de uma tia.

INFECTADA?

Em 29 de junho, foi a vez de K.C.S.O., que teve coriza por três dias. No final deste período, começou a apresentar tosse seca. No domingo (5), sentiu moleza, peso nas costas e febre - ao aferir a temperatura, descobriu que ela estava em 37,9 graus.

Ela procurou atendimento médico e relatou os diversos casos em sua família. A estudante de Enfermagem foi isolada e submetida a uma tomografia. Depois, acabou internada. As alterações em seu pulmão já indicaram Covid-19. Porém, o resultado do exame para a doença só ficará pronto nesta segunda-feira (13).

K.C.S.O. relata que, logo depois do primeiro caso de Covid-19 em sua família, tomou vários cuidados, como o uso de máscara e álcool em gel. Ela também deixava as janelas do carro abertas sempre que carregava passageiros, que se sentavam no banco de trás.

Em casa, ela separou talheres e copos, além de ter evitado beijar o marido e os filhos, um de 14 e outro de 5. O mais novo, inclusive, é portador de Síndrome de Down. Ela vive com eles e o marido.

A mulher adianta que não se arrepende de qualquer coisa, afinal, acredita que tomou todos os cuidados possíveis. "Só que estou morrendo de medo de ter passado ao meu esposo e aos meus filhos, principalmente, para o menor", finaliza. Os filhos e o marido testaram negativo dias depois desta entrevista. 

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