Considerado pelo estado um dos maiores desafios dentro do plano de retomada das atividades em meio à pandemia de Covid-19, o retorno das aulas presenciais ainda é cercado de incertezas e preocupação. Os desdobramentos da volta de alunos, professores e funcionários para as escolas ainda não podem ser precisamente mensurados - e sequer ainda é possível delimitar um modelo sustentável para que o chamado ensino híbrido, com aulas online e presenciais, e com número reduzido de alunos, possa acontecer.
Para trazer reflexão sobre o assunto, o Jornal da Cidade ouviu especialistas em educação, uma área extremamente complexa e subjetiva, que envolve a rotina não apenas dentro das unidades de ensino, mas também das famílias dos estudantes. Em razão disso, os pais de alunos também revelaram suas impressões sobre o momento que Bauru, assim como o País, atravessa.
Trata-se de um debate que voltou a ganhar relevância nesta semana, após o governo do estado anunciar o adiamento, para 7 de outubro, da previsão de retomada das aulas presenciais nas escolas públicas e privadas, já que as condições para o retorno na data inicialmente projetada - 8 de setembro - não foram alcançadas.
As unidades de ensino estão fechadas desde 23 de março por conta da quarentena imposta para frear o avanço do novo coronavírus. Já são mais de cinco meses em que pais precisam administrar a nova rotina de filhos em tempo integral dentro de casa, que estabelecimentos da rede privada lidam com perdas financeiras devido à redução de alunos matriculados, que professores e estudantes tentam se adaptar a uma nova forma de viabilizar a relação ensino-aprendizado.
PRIORIDADE
Coordenador da Apeoesp em Bauru, o professor Marcos Chagas é um dos representantes da educação que reconhecem os prejuízos causados pelo longo período de suspensão das aulas presenciais. Especialmente na rede pública de ensino, uma das grandes preocupações é a defasagem na assimilação dos conteúdos, já que o acesso à Internet, tablets e smartphones não integra a realidade de boa parte dos alunos.
"Porém, por meio de ações concretas do estado a serem adotadas posteriormente, é possível recuperar os conteúdos perdidos. Já as vidas que seriam colocadas em risco se voltarmos às aulas sem que a pandemia esteja controlada, não. É preciso, neste momento, priorizar a saúde", pondera, salientando que as escolas públicas não possuem funcionários em número suficiente para garantir que todas as crianças e adolescentes respeitem as regras de distanciamento. "Muitas têm somente um agente para fazer este acompanhamento", acrescenta.
Para Sebastião Clementino da Silva, o Macalé, presidente do Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Bauru e Região (Sinprobau), o ideal é que as aulas só fossem retomadas em 2021, com o mês de janeiro dedicado exclusivamente à revisão dos conteúdos. "Não há sentido em retomar as aulas nos últimos meses do ano. Não há mais tempo para recuperar conteúdos. Dentro da situação que estamos enfrentando, é possível fazer uma revisão resumida em janeiro, para que os alunos possam iniciar, efetivamente, o ano letivo seguinte", analisa.
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