A quarentena decorrente da pandemia do novo coronavírus não trouxe apenas consequências negativas. Aproveitando o Dia dos Pais, celebrado neste domingo (9), alguns pais e filhos isolados na mesma casa mostram que a maior convivência levou ao estreitamento dos laços familiares.
Segundo o psicólogo Ulisses Herrera Chaves, o atual cenário obrigou as pessoas a se aproximarem, fato que intensificou a inter-relação entre pais e filhos. "Porém, o fenômeno reforçou algo que já existia. Se o relacionamento era bom, ele melhorou e o contrário também pode ter acontecido", ressalta.
Mesmo assim, o profissional argumenta que esta não deixa de ser uma oportunidade para as pessoas repensarem as suas relações e, dependendo do caso, buscarem ajuda.
Para Herrera, antes da pandemia, os indivíduos estavam muito mais envolvidos com o trabalho e as demais atividades cotidianas, deixando o relacionamento com a família em segundo plano. "Se soubermos aproveitar, manteremos tal aproximação depois que tudo passar", diz.
Herrera também é pai de um adolescente e ambos estão isolados na mesma casa. "Nós temos feito mais coisas juntos, como assistir a filmes e séries", revela.
O programador Mateus Gomes Cabana, de 24 anos, passou a trabalhar em home office desde o início da quarentena. Naquela época, houve algumas dificuldades em relação à convivência com o pai, mas elas já se resolveram. "Ele entrava no meu quarto quando eu estava no meio de uma reunião", relata.
A rotina da família não sofreu alterações significativas. "Nós sempre fizemos as refeições juntos. Só que, antes, eu chegava do trabalho e queria descansar. Agora, estamos conversando com maior frequência. Aproveito a oportunidade para agradecer a presença do meu pai na minha vida e dizer que sinto muito orgulho dele", complementa.
Irmão do programador, o professor e doutorando Tiago Gomes Cabana, de 27, também está isolado com a família, mas alega que a convivência com o pai não mudou muito. "Antes da pandemia, eu conseguia fazer a minha pesquisa em casa", explica. O doutorando revela que, para evitar qualquer conflito, segue a premissa de que é melhor estar bem do que certo. "Ao meu pai, desejo tudo de melhor, afinal, ele lutou muito na vida para conquistar o que tem hoje", declara.
COM A PALAVRA, OS PAIS...
Pai dos irmãos, o aposentado Mauro Cabana, de 67 anos, confessa que o convívio com os filhos tem sido ótimo. "Eu sinto mais segurança com eles em casa do que fora", acrescenta.
O jornalista Tiago Henrique Rodella da Silva, de 36, também se aproximou do pequeno Davi Aguiar Rodella da Silva, de 3. Desde o início da quarentena, o profissional está em home office e, portanto, passa muito mais tempo com a criança. "Agora, estamos o dia inteiro juntos", descreve.
Ele confessa que sente dificuldade em separar um momento apenas para o trabalho. "Ele vive me chamando para brincar e tudo acaba acontecendo ao mesmo tempo. Apesar das limitações, a melhor parte da quarentena é o fato de eu ter me aproximado ainda mais da minha família", finaliza.