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Brasil em recessão técnica

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Com a queda de 9,7% do Produto Interno Bruto brasileiro (PIB) no segundo trimestre deste ano no comparativo com o primeiro trimestre também deste ano, o Brasil está em recessão técnica. Isso ocorre quando em dois trimestres ou mais o PIB apresenta recuo. No primeiro trimestre, a queda foi de 2,5%.

O Brasil acumula no primeiro semestre deste ano, comparado com idêntico período do ano passado, queda de 5,9%, patamar alinhado com as expectativas do mercado para o ano fechado. A pandemia do novo coronavírus, a Covid-19, colocou por terra qualquer perspectiva de crescimento econômico para o Brasil, realidade também enfrentada em outros Países.

Os dados do segundo trimestre, quando analisados pelo lado da oferta, apontam que somente o setor primário da economia teve resultado positivo: 0,4%. Como este setor representa somente 5,5% do total do PIB, seu efeito no resultado não é significativo. As regiões com matriz econômica alicerçada na agropecuária sentiram menos os efeitos da crise atual.

A indústria observou tombo de 12,3% no trimestre, sendo que a indústria de transformação foi a mais afetada: queda de 17,5% no período. A construção civil recuou 5,7%. Representando 75% do PIB o setor terciário da economia amargou queda de 9,7%. O comércio, que faz parte deste setor, recuou 13%. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias apresentou recuo de 12,5%. Vale lembra que esse item representa 70% do PIB, portanto, este recuo impactou decisivamente na queda total do PIB. Os investimentos recuaram 15,4%, o consumo do governo recuou 8,8%, tendo o setor externo apresentado alta de 1,8% nas exportações e queda de 13,2% nas importações. Por tudo isso, mesmo com bons indicadores de desempenho nos meses de julho e agosto deste ano, é difícil apostar que a recuperação da economia seja rápida, no chamado V. Tudo aponta que será em U, deixando o W de lado. Recuperação lenta, mas virá.

O ambiente é de incertezas. Consumidores, setor público e empresários estão "feridos" financeiramente. O recuo no consumo das famílias não foi pior devido ao auxílio emergencial, gerando um "artificialismo", o qual tem prazo de validade para acabar. Evidentemente que a queda do PIB não quer dizer PIB zerado. Há menos riqueza gerada e a disputa no mercado será intensificada, afinal, recuamos cerca de 10 anos: produziremos este ano o mesmo que produzimos em 2009.

Quem estabelecer estratégias adequadas, somadas a incentivos governamentais, que certamente virão, notadamente na área de construção civil, geradora de empregos, poderá abocanhar parte do fraco PIB. Desafios não faltam, principalmente no controle fiscal do setor público. O momento é para a equipe econômica dizer a que veio: é hora da pauta positiva para reduzir os impactos sociais deste momento de recessão.

O autor é economista, presidente da Acib.

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