Ser

Vida real

Mariana Coutinho
| Tempo de leitura: 3 min

O que me realiza é ver que a gente pode ser feliz depois dos 50." Consuelo Blocker (@consueloblocker) se surpreende com a própria fala. "Olha que loucura isso que eu disse!", reflete. Ela e muitas mulheres da geração prateada perceberam que a vida não acaba quando os cabelos brancos aparecem, diferentemente do que se pensava até pouco tempo atrás, especialmente no Brasil. "É um país ainda muito voltado à juventude", acredita a consultora de moda, de 56 anos, que soma 370 mil seguidores no Instagram. O cenário está mudando por diversos fatores, a começar pelas redes sociais. A influência 50 já é uma realidade, e não há ninguém melhor para falar sobre a vida das mulheres maduras do que elas mesmas.

Uma pesquisa do Ibope Inteligência mostrou que 52% dos internautas brasileiros seguem algum influenciador. Dentro desse número, a maioria é de mulheres das regiões Norte e Nordeste, e 25% têm mais de 55 anos. Segundo o levantamento, esse grupo procura perfis bem-humorados, com conteúdo diverso e relevante.

É o caso de Consuelo, que começou na Internet há 10 anos com um blog e depois focou no Instagram, compartilhando seu dia a dia e dicas valiosas. A filha de Costanza Pascolato fala de moda com propriedade e divide seus looks para saídas em Florença, na Itália, onde mora. "Comecei a falar de moda sem aparecer. Então, percebi que o público gostava mais quando eu participava e, pouco a pouco, o perfil foi migrando para o meu lifestyle", conta. No feed ou nos stories, ela mostra do que gosta e fala o que pensa. "O retorno é muito positivo. Acho que o que faz a diferença é que eu respondo a todo mundo", observa. "Elas dizem: 'Eu me espelho em você'. Entendo esse público, porque faço parte dele. E é uma turma numerosa, que andava frustrada."

GENTE COMUM

A carioca Ruth Pinho (@ruth_sigaquemagrega), 53 anos, é uma das seguidoras de Consuelo. Embora acompanhe mulheres em sua faixa etária, ela sentia falta de material voltado a um assunto que ocupava sua cabeça: a menopausa. "Queria saber mais sobre quem está na mesma fase que eu, mas não achava muitos posts com histórias reais", diz. Entre perfis técnicos e os que apresentavam só as agruras do período, Ruth buscava positividade. Resolveu criar a própria conta e produzir o conteúdo que gostaria de ler. Hoje, ela é uma nanoinfluenciadora com pouco mais de 6,6 mil seguidores e um nicho bem delimitado: "Cada mensagem direta que recebo com dúvidas vira uma pauta", explica a advogada, que divide o tempo entre trabalho, casa e Internet. No perfil, ela procura estimular a autoestima e dá dicas para cuidar da pele e dos cabelos na fase de baixa hormonal.

O perfil SHEt (@shet_alks), comandado pelas publicitárias Fernanda Guerreiro e Camila Faus, que acumula 14 mil seguidores, aborda temas parecidos. Quando Camila engravidou, aos 44 anos, e jurava de pé junto que a falta da menstruação só podia estar relacionada à menopausa, as amigas se deram conta de que não entendiam nada sobre o assunto e foram se informar. "Nosso desconhecimento sobre climatério e menopausa foi um estopim", explica Fernanda, sobre a vontade de criar o conteúdo. As duas agora estão com 47 anos e a fase de baixa hormonal e fim da fertilidade é um dos principais temas que tratam no perfil.

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