Articulistas

O problema dos caminhões-pipa

Jorge Alberto Soares
| Tempo de leitura: 2 min

Cena de um dos infernos de Dante: após semana sem fornecimento de água, sua caixa d'água chegou no zero e você começa a entrar em pânico.

Chama o DAE e pede para mandarem um caminhão-pipa, mas fica sabendo que o envio do caminhão será agendado, mas o ajudante de caminhão não poderá subir no telhado da sua casa com a mangueira para encher a caixa. Pânico total...

Além do DAE há em Bauru uma meia dúzia de fornecedores de caminhão-pipa, mas, igual ao DAE, não sobem no telhado. Imagino ser uma norma de segurança derivada de apólices de seguro contra acidentes no trabalho, ou coisa que tal.

Então, para contornar esse problema, quando chegar o caminhão-pipa na sua casa você vai ter que contar com alguém (vizinho, pedreiro, encanador) munido de uma escada comprida para subir no telhado carregando a mangueira, destelhar o local da caixa e enchê-la com água.

Depois descer e retornar com a mangueira ao caminhão-pipa.

Nada que pareça impossível de realizar, o problema é sincronizar a chegada do caminhão na residência com a presença do "subidor no telhado" munido de escada longa.

Uma solução que me parece fácil de implementar é que o DAE, ao receber um pedido de caminhão pipa, verificasse se é preciso alguém subir no telhado para encher a caixa d'água, e se for o caso, fazer a entrega com hora marcada para que o solicitante pudesse sincronizar os dois prestadores de serviço.

Melhor ainda se o DAE mantivesse um cadastro de trabalhadores autônomos dispostos a fazer a operação de subida no telhado, e fizesse a gentileza de indicar ao solicitante um desses trabalhadores da sua lista.

Nada de tecnologia aeroespacial - apenas um pouco de consideração pelo contribuinte que paga impostos e sustenta o DAE.

Ele merece respeito e simpatia nessas horas de extrema aflição.

O autor é colaborador de Opinião.

Comentários

Comentários