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Bolívia escolhe novo mandatário

FolhaPress
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La Paz - A possibilidade de que existam distúrbios sociais após o fechamento das urnas neste domingo (18) levou muitos bolivianos a comprarem alimentos em quantidades extras e abastecerem seus veículos de combustível nos últimos dias. O país escolhe seu novo presidente neste domingo. Luis Arce, aliado de Evo Morales que está exilado em Buenos Aires, lidera pesquisa de intenção de votos para 1º turno. Em segundo está Carlos Mesa, que já foi presidente entre 2003 e 2005. Em terceiro lugar aparece, Luis Fernando Camacho, líder de extrema-direita que liderou protestos contra Evo que o levaram para fora do País. Ele é de Santa Cruz, o estado mais populoso.

A eleição pode ser decidida já no primeiro turno se um dos candidatos tiver pelo menos 40% dos votos válidos e mais de dez pontos percentuais a mais que o segundo colocado.

Se ninguém conseguir esse resultado, haverá um segundo turno no dia 29 de novembro.

No bairro de classe média de Socopachi, em La Paz, havia filas de carros nos postos. Embora não haja relatos de desabastecimento até o momento, ainda assim houve aglomeração por conta da alta procura.

Em mercados de comida na região central, também havia grande busca de produtos. "Nas últimas eleições tem sido assim, as pessoas sabem que o comércio pode fechar, ou por causa da confusão, ou porque os próprios comerciantes têm medo de que possa haver violência. Então, é melhor se preparar", diz Catalina Rubiño, 54, dona de uma mercearia.

O governo tomou precauções para que as eleições ocorram de forma pacífica. Há restrição de mobilidade no dia da votação -não há transporte público, e veículos particulares só podem circular com permissão ou se forem de serviços de saúde, observadores internacionais ou jornalistas.

A venda de bebidas alcoólicas está proibida desde sexta.

COMITIVA

Houve confusão no aeroporto de El Alto com relação a uma comitiva de observadores argentinos convidados pelo MAS -o Movimento ao Socialismo, partido do ex-presidente Evo Morales-, que foram impedidos de entrar no país.

Embora a eleição tenha uma delegação internacional já designada, formada pela OEA, o Centro Carter, a União Europeia e as Nações Unidas, o MAS convidou figuras políticas latino-americanas para que façam parte da observação do processo.

O partido havia convidado a ex-presidente argentina Cristina Kirchner, que recusou, mas mandou dois senadores, Leonardo Grosso e Federico Fagioli. Eles foram inicialmente detidos em sua tentativa de entrar no país, mas em seguida puderam ingressar.

O ministro de governo, Arturo Murillo, disse que pessoas que "entrem no país com a suposta explicação de que vão observar as eleições, mas que estejam atuando para ajudar o MAS, serão deportadas imediatamente".

INTERINA

A relação do atual governo boliviano com o argentino é ruim. O presidente da Argentina, Alberto Fernández, não reconhece o governo interino de Jeanine Añez, e este critica a Argentina por abrigar Evo Morales, um fugitivo da Justiça boliviana, em seu território.

Evo, por sua vez, afirmou que, se o candidato do MAS, Luis Arce, vencer no primeiro turno, ele virá à Bolívia já na segunda-feira (19).

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