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Medidas contra Covid barram outras doenças

Ana Lucia Azevedo
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - O combate à Covid-19 surtiu um efeito positivo no controle de doenças respiratórias. Dos causadores de resfriados aos que provocam pneumonias letais, todos os vírus respiratórios comuns no Brasil até o ano passado praticamente desapareceram em 2020. E o motivo, dizem especialistas, são as medidas de distanciamento social, hábitos de higiene e máscara contra o coronavírus.

Os casos de influenza, coronavírus brandos (HKU1, 229E, NL63, OC43), vírus sincicial respiratório, parainfluenza, adenovírus, rinovírus, metapneumovírus e outros causadores de infecção respiratória, até 2019 muito comuns, despencaram este ano, afirma o vice-chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz, Fernando do Couto Motta.

"Nunca vimos isso ocorrer desde que foi estabelecida a rede nacional de vigilância de influenza, em 1999. Todo ano a gripe mata em torno de 2 mil pessoas no País. Este ano isso certamente não vai acontecer", destaca Motta.

Dados do InfoGripe/Fiocruz mostram que, até setembro, o Sars-CoV-2 foi a causa de cerca de 99,2% das mortes e 97,4% dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no Brasil. A influenza, que até 2019 matava cerca de 6 mil pessoas por ano no Brasil, em 2020 atingiu até agora 1.672 (somadas influenza A e B).

O coordenador do InfoGripe/Fiocruz, Marcelo Gomes, diz que 2020 começou no Brasil com a influenza em alta. Até 22 de fevereiro, havia mais casos do que a média dos anos anteriores. Na análise dos epidemiologistas, isso ocorreu em função de uma temporada de gripe severa no Hemisfério Norte, que acabou obscurecida pela pandemia de Covid. Mas, a partir do fim de fevereiro, tudo mudou drasticamente. E só se viu Covid-19.

Os epidemiologistas detectaram seus sinais não apenas pelos resultados de testes moleculares de vítimas de SRAG quanto pelo perfil populacional. Houve mudanças significativas na faixa etária. Na Covid-19, há predominância de adultos e menos crianças de até 4 anos, diferentemente do que se vê na influenza.

 

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