Geral

Falhas no rodízio geram prejuízos e transtornos ao ramo alimentício

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

A instabilidade no sistema de rodízio de água nos bairros que são atendidos pelo Rio Batalha tem gerado transtornos e prejuízos para proprietários de restaurantes. Estabelecimentos localizados na avenida Getúlio Vargas, por exemplo, relatam perda de clientes e aumento de custo neste período. Dependentes diretamente da água, eles estão precisando adotar diferentes posturas e se adaptar. Alguns tiveram que substituir os copos de vidro pelos descartáveis, para evitar o acúmulo de louça, e outros interditaram os banheiros. De acordo com o cronograma do DAE, a Zona Sul da cidade deveria ter sido abastecida nesta sexta-feira (13), porém, comerciantes relatam que as torneiras estão secas desde a última terça (10).

Gerente de uma steakhouse na Vila Universitária, Gabriela Semensato relata que, por estar sem abastecimento, ligou para o DAE solicitando um caminhão-pipa, que não havia chegado até o fim da tarde de ontem. "Estou há mais de três horas esperando, com clientes indo embora, porque não há água para lavar as mãos no banheiro, ou dar descarga. É uma situação muito difícil, porque a gente trabalha acreditando que a água vai vir, mas não vem", critica.

O desabastecimento impõe diversos desafios ao setor, que depende do líquido e precisa encontrar alternativas para não suspender os atendimentos. "Estamos explicando a situação já na porta para os clientes. Assim, quando chegam, podem escolher se ficam ou se vão embora", comenta a gerente.

Além disso, Semensato conta que foi necessário adotar outras medidas para reduzir o consumo, como substituir os copos de vidro por descartáveis. "A gente não queria fazer isso, porque não é ecológico, mas precisamos, para conseguirmos lavar os talheres e para cozinhar, principalmente", detalha.

Segundo o DAE, a região onde fica o estabelecimento é mais alta e, por isso, a água demora mais para chegar. Porém, por volta das 19h, as torneiras do local ainda continuavam secas.

ADAPTAÇÕES

Próximo deste restaurante, ainda na Getúlio Vargas, uma loja de empadas enfrenta problemas parecidos. "Não tem água desde terça-feira (10). Hoje (ontem), a água da caixa acabou. Amanhã (hoje) não sei se teremos condições de atender", relata Leonardo Balbino, proprietário do estabelecimento.

Ele também precisou substituir as louças de vidro pelas plásticas. Só que, com isso, o custo aumentou. "Na semana passada, a mesma embalagem que encontrei por R$ 60,00, comprei por R$ 145,00 hoje (ontem)", afirma, indignado com o preço. "Sei que é um problema que todos estamos enfrentando, mas é difícil. Meu custo aumenta muito e os clientes sentem isso também".

No mesmo bairro, como medida para evitar desperdício, uma açaiteria interditou os banheiros para uso de clientes. "Aqui, sirvo muitas frutas frescas, que precisam ser lavadas. Uma vez, a água da caixa zerou e tive que comprar água mineral para conseguir atender", conta Eduardo Ishihara, proprietário do local.

A falta de água também mudou a rotina de limpeza do estabelecimento. Antes, Ishihara explica que costumava lavar a frente do imóvel a cada dois dias. "Só que, agora, com o rodízio, só estou passando pano, porque não posso arriscar ficar sem água na caixa", finaliza.

Comentários

Comentários