Economia & Negócios

Negócio sobre rodas pode ser lucrativo

Eduardo Sodré
| Tempo de leitura: 2 min

As adaptações feitas em food trucks e outros veículos de trabalho exigem mais manutenção do que o carro em si. Os problemas surgem nos itens adicionais, que envolvem tubulações de gás e mudanças na parte elétrica.

O mais importante é seguir os prazos de troca do óleo. Com as baixas quilometragens diárias, muitas vezes percorridas em meio ao trânsito pesado, o lubrificante dos trucks tende a se deteriorar rápido, diz Bruno. Essa condição é chamada de uso severo pelas montadoras. Nesses casos, a recomendação é substituir o fluido e seu filtro na metade do período recomendado para as revisões: se a troca está prevista para cada 10 mil quilômetros, deve ser feita aos 5.000.

Para quem opta por adquirir um veículo zero-quilômetro e transformá-lo em carro de trabalho, é preciso checar quais são as empresas de transformação ou encarroçadoras homologadas pela montadora do automóvel. Ricardo Dilser, assessor técnico do grupo FCA Fiat Chrysler, diz que a garantia original de fábrica será mantida caso o proprietário do truck siga o plano de revisão do modelo e faça a adaptação em uma dessas oficinas cadastradas. Já a garantia e a manutenção das instalações adicionais são de responsabilidade do encarroçador.

Rômulo Jesus, gestor comercial da empresa de adaptações veiculares, afirma que o prazo de cobertura é de um ano. Não podem surgir pontos de corrosão nem de infiltração, e os adesivos colocados na carroceria também devem ser substituídos caso se desgastem nesse período.

O dono do negócio deve manter alguns cuidados. "A fritadeira a gás de um food truck costuma funcionar ininterruptamente durante uma jornada de trabalho, por isso seu sistema deve ser vistoriado diariamente pelo dono, para verificar possíveis pontos de vazamento", afirma Rômulo. Com a proliferação dos negócios de comida de rua - o Sebrae estima que 2% da população brasileira sobreviva desse ramo -, as adaptações precisaram ser aprimoradas.

De acordo com Rômulo, as instalações de eletricidade e gás precisam ser superdimensionadas para evitar defeitos e acidentes. É necessário também ter a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), que é o laudo emitido por engenheiro responsável pelo projeto. Cada instalação (elétrica ou gás) exige um documento próprio.

Para maior segurança, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) recomenda que haja um sensor de vazamento de gás, que emite sinal sonoro e trava a válvula de segurança do sistema. Além de evitar acidentes, os cuidados visam preservar o investimento, que é alto. Hoje, transformar uma van em um food truck de médio porte custa entre R$ 75 mil e R$ 90 mil. As paredes internas precisam ser impermeáveis e laváveis, o que aumenta o valor dos materiais empregados.

Outro motivo para deixar os trucks em ordem é a dificuldade em conseguir cobertura de uma seguradora. Muitas companhias não oferecem opções que cubram os equipamentos adaptados.

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