Articulistas

Transição municipal: com luz ou escuridão?

Braz Melero
| Tempo de leitura: 2 min

"Na política, nunca seja tão amigo que não possa se tornar inimigo; nem tão inimigo que não possa se tornar amigo". Espera-se que a Luz de Ulysses Guimarães inspire os políticos nas transições municipais. Tal qual em uma corrida de revezamento, que durante preciosos segundos os músculos dos corredores se movimentam sincronizados, lado a lado, no mesmo ritmo, como se fossem um só, segurando o suado bastão. Detalhes na transição levam à luz ou à escuridão.

No mundo da administração, a sucessão de uma gestão jamais prescinde do lapso de tempo de convivência comum. Objetiva não apenas obter dados e números, mas os detalhes de sua luz, nos aspectos técnico e humano.

Nunca é demais considerar outros conceitos, que se não levados em conta podem desfigurar o diagnóstico: "Generalistas sabem pouco sobre muito; especialistas sabem muito sobre pouco". Daí a importância de preservar o que é indelegável: "participações dos titulares das áreas cessantes e entrantes, quer no mundo empresarial como no político".

No caso das eleições, durante as campanhas os candidatos procuram demonstrar que "está tudo dominado". Mas, via de regra, sobre a maioria dos temas só possuem "informações superficiais". Conceitualmente sabemos: "informação nem sempre é conhecimento, que está longe de ser sabedoria". Alguns exemplos dessa realidade são marcantes, ao longo do tempo.

Na campanha à Prefeitura de Bauru, em 2016, um velho e surrado chavão foi reutilizado para atrair o eleitor: "Em 100 dias vou desburocratizar e destravar a cidade".

Não se esclareceu se era "cem ou sem".

Ainda em 2016, neste espaço, elogiei a iniciativa de grupos políticos, cessante e entrante, por darem início, de pronto, ao sistema de transição de governo, com princípios democrático e republicano. Porém, ficaram apenas na fase de coletas de dados e sugestões de alterações da estrutura organizacional e metodologia de trabalho. Tudo elaborado por um grupo de pessoas iluminadas, entre elas o consultor cel Manoel Messias, mas não foram acatadas, como desejável.

Na transição é oportuno identificar o que fazer e o que não. O que dizer das recentes instalações das 800 lâmpadas Vapor Sódio que, superadas, estão na contramão de preceitos ecológicos? Para se ter uma ideia, contribuiu para deixar de preservar 201 árvores; lançar 35 toneladas de CO2; deixar de abastecer 35.000 clientes ano.

Neste momento, vale a pena recorrer à luz de Cora Coralina: "O saber a gente aprende com os mestres. A sabedoria apreende-se com os mais humildes e com a vida".

O autor é executivo aposentado da CPFL. Atuou no Gabinete da Prefeitura de Bauru. É Assessor de Civismo e Cidadania da Governadoria do Lions. Representa a Assenag no Conseg e no Coinfra 

 

Comentários

Comentários