A organização internacional Advogados Sem Fronteiras (ASF) irá acompanhar o caso de racismo sofrido pela prefeita eleita de Bauru, Suéllen Rosim. Na semana passada, o representante da entidade em Bauru, o advogado Tadeu Luciano Seco Saravalli, encaminhou ofício ao Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil com pedido para acesso ao conteúdo das investigações conduzidas em inquérito policial.
De acordo com o coordenador do setor e delegado que preside o inquérito, Eduardo Herrera dos Santos, a solicitação está em análise. Saravalli adianta que o objetivo não é prestar suporte jurídico à prefeita eleita ou mesmo interferir no trabalho policial e sim acompanhar o desenrolar das investigações que, segundo ele, "tem tudo para ser um case de sucesso".
"A polícia local vem se mostrando muito eficiente em sua atuação, de forma convergente com os nossos princípios, de defesa dos direitos humanos. A intenção é que, concluído o inquérito, a gente faça um relatório circunstanciado sobre este trabalho, que será encaminhado para conhecimento dos coordenadores da rede ASF", detalha o advogado, que é especialista em Direito Público e membro da Comissão de Direito Digital da OAB estadual.
Ele explica que a ASF é uma rede que atua em todo o globo para promoção do acesso à Justiça e proteção dos direitos humanos. Fundada em Bruxelas, na Bélgica, em 1992, a entidade constituiu sua subsede no Brasil em 2012.
REPERCUSSÃO
Saravalli conta que, como o caso de racismo contra Suéllen teve repercussão nacional e internacional, gerando manifestações internas de presidentes da ASF em outros países e de entidades da área de direitos humanos no Brasil, o presidente da organização no Brasil, Jean Carbonera, fez contato para discutir como eles poderiam atuar.
"Nesta conversa, decidimos que a ASF iria acompanhar de perto", comenta ele, salientando que a ASF é órgão consultivo do Conselho Econômico e Social da ONU, a quem pode relatar casos em que há violação de princípios dos direitos humanos.
Além da investigação sobre os ataques racistas postados contra Suéllen no Facebook e em grupos de WhatsApp, cuja autoria já foi identificada pela Polícia Civil, a ASF também acompanha a apuração relacionada à ameaça de morte por motivação racista que a prefeita eleita recebeu por e-mail. Tudo leva a crer que os responsáveis pelos dois crimes não sejam os mesmos, até porque e-mails praticamente idênticos ao recebido por Suéllen também foram enviados para outras mulheres com atuação política no País.
As vítimas também são mulheres negras, como a deputada federal Talíria Petrone e as vereadoras eleitas Carol Dartora, de Curitiba (PR), e Ana Lúcia Martins, de Joinville (SC). Outro alvo foi a vereadora eleita de Belo Horizonte Duda Salabert, que é transexual.