Tribuna do Leitor

Nunca mais

José Misael Ferreira do Vale
| Tempo de leitura: 1 min

Nunca mais poderei conversar contigo minha companheira.

Nunca mais verei você organizar a casa e, ainda, ser confeiteira.

Nunca mais terei o prazer de apreciar os seus doces sortidos.

Nunca mais terei a oportunidade de atender aos seus pedidos.

Nunca mais poderei presenteá-la no dia de seu aniversário.

Foi triste, foi triste demais vê-la doente quase de modo diário.

Muitas e arriscadas cirurgias você enfrentou com muito brio e, combalida, faleceu sozinha longe de nosso antigo casario.

Triste, muito triste foi perceber a minha falta de engenho para socorrê-la e evitar-lhe o pior, o dorido falecimento.

Os religiosos esperam encontrar as pessoas amadas no céu, mas a dor que sinto não tem limite, fiquei sem chão e ao léu.

Nada no mundo me anima sem a sua presença alegre e viva.

Nada me consola de sua perda irreparável, minha querida diva.

Fico devendo o abraço caloroso longe do momento de angústia.

Como é triste sentir o "nunca mais", o "nunca mais" em vida.

Restaram os filhos, frutos da vivência ao longo da existência.

Comentários

Comentários