Nunca mais poderei conversar contigo minha companheira.
Nunca mais verei você organizar a casa e, ainda, ser confeiteira.
Nunca mais terei o prazer de apreciar os seus doces sortidos.
Nunca mais terei a oportunidade de atender aos seus pedidos.
Nunca mais poderei presenteá-la no dia de seu aniversário.
Foi triste, foi triste demais vê-la doente quase de modo diário.
Muitas e arriscadas cirurgias você enfrentou com muito brio e, combalida, faleceu sozinha longe de nosso antigo casario.
Triste, muito triste foi perceber a minha falta de engenho para socorrê-la e evitar-lhe o pior, o dorido falecimento.
Os religiosos esperam encontrar as pessoas amadas no céu, mas a dor que sinto não tem limite, fiquei sem chão e ao léu.
Nada no mundo me anima sem a sua presença alegre e viva.
Nada me consola de sua perda irreparável, minha querida diva.
Fico devendo o abraço caloroso longe do momento de angústia.
Como é triste sentir o "nunca mais", o "nunca mais" em vida.
Restaram os filhos, frutos da vivência ao longo da existência.