Saúde

De dentro pra fora

Karina Hollo
| Tempo de leitura: 2 min

Passado o boom dos implantes de silicone, o movimento inverso começa a tomar força por aqui e lá fora. A retirada do silicone tem se tornado comum entre quem busca novos padrões de beleza, evitar o aparecimento de doenças relacionadas ao implante ou interromper complicações causadas por ele.

O cirurgião plástico Victor Cutait, de São Paulo, endossa os três motivos para explicar a tendência: "O primeiro é o arrependimento por conta do tamanho. O segundo é o movimento cíclico do padrão de beleza - há 10 anos, as referências eram as 'panicats' e hoje não são mais. E o terceiro são as reações do corpo à prótese. As complicações mais comuns são as contraturas capsulares, reações inflamatórias que exigem a retirada da prótese."

A chamada "doença do silicone" pode apresentar sintomas que indicam a possível necessidade de explante. São eles mialgia, fraqueza muscular, artrite, fadiga crônica, distúrbios do sono, manifestações neurológicas, alteração cognitiva ou surgimento de doenças autoimunes. Há relatos de pacientes que, ao serem submetidas à retirada das próteses, tiveram melhora ou resolução de sinais imediatos. Ainda assim, é necessária a avaliação individual para o diagnóstico preciso e correto.

Por conta da falta de informação sobre os problemas que podem ser causados pelo implante de silicone, a professora Larissa de Almeida, 36 anos, que realizou a cirurgia do explante em 2018, criou um perfil nas redes sociais para alertar outras mulheres sobre a sua experiência - e já soma quase 150 mil seguidores. Logo após o implante, seis anos atrás, Larissa começou a sentir uma dor aguda no osso esterno, conforme respirava. Após três anos com a prótese, a professora teve a primeira de duas contraturas e a, partir de então, outros sintomas começaram a surgir, como problemas oculares, fadiga crônica, hipersensibilidade ao frio e perda de memória. "Passei anos sofrendo sem saber que tudo tinha a ver com o silicone", observa. 

A fisioterapeuta vascular Michelli Möller, 33 anos, precisou realizar três cirurgias plásticas nos seios. "Depois que amamentei, coloquei o silicone para acabar com a flacidez. No ano passado, comecei a sentir dores, convulsões e alguns apagões, mas ninguém associava com a prótese. Em novembro de 2019, fiz um exame de rotina e foi diagnosticada uma aderência de cicatrização da mama, que desenvolveria um encapsulamento. Só tive conhecimento da 'doença do silicone' depois". Michelli, que tinha perdido parte da visão, logo depois da cirurgia de explante, voltou a enxergar bem. "Hoje, estou bem. Sei que estou saudável, mas em alguns momentos o fator estético pesa."

Segundo o cirurgião plástico Luís Felipe Maatz, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a evolução tecnológica em relação à produção das próteses de silicone diminui a possibilidade de complicações e da troca periódica.

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