Confesso que me emocionei, neste domingo, 17 de janeiro, quando vi a enfermeira Mônica Calazans tomar a primeira dose da vacina CoronaVac. Mônica, 54 anos, é negra e moradora da zona leste da Capital. Ela, que atua na linha de frente contra a Covid-19, é obesa, hipertensa e diabética. Antes de ser vacinada, Mônica chorou, emocionada, e agradeceu. Mônica se transformou na cara da esperança, na certeza de que dias melhores virão.
Não sou do grupo de risco nem tenho idade avançada. Então, não faço a menor ideia de quando poderei me vacinar. Ainda assim, chorei de emoção. Chorei porque não vejo a hora de ter minha filha - que mora fora - regularmente em casa, de receber meus amigos com um abraço, de conversar com as pessoas sem preocupação.
Chorei porque quero chegar na casa da minha mãe, grupo de risco, e abraçá-la. Porque cansei de dizer não para os churrascos que meu filho quer fazer em casa. Porque sei que, em breve, voltaremos a ter nossas vidas de volta. Apesar dos cuidados que ainda teremos de tomar.