Política

Bauru e região têm maior ocupação de leitos de UTI em todo o Estado

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Além do crescimento preocupante de casos da Covid-19, a região de Bauru é, hoje, a que possui a maior ocupação de leitos de UTI em todo o Estado. O alerta é do secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi. As informações foram divulgadas em coletiva no Palácio dos Bandeirantes, nesta quarta-feira (27). Na ocasião, Vinholi e o coordenador executivo do Centro de Contingência da Covid-19, João Gabbardo, criticaram duramente a postura de Bauru em descumprir o Plano São Paulo e, principalmente, do promotor Enilson Komono em apoiar a prefeitura (leia mais abaixo).

O JC tem acompanhado a situação crítica de lotação da rede hospitalar por conta da pandemia. Inclusive, pela primeira vez, tanto a cidade quanto a região (envolvendo os hospitais públicos de Bauru, Botucatu, Jaú, Lins, Avaré e Promissão) têm batido a casa de 100% de ocupação de UTIs.

E os impactos desse cenário já são evidentes. Além da superlotação da Santa Casa de Jaú, que disse "não saber mais o que fazer", um paciente com Covid-19 em Botucatu ficou quatro horas dentro de uma ambulância do Samu esperando uma vaga de internação (leia mais na página 13).

CONCENTRAÇÃO

Segundo o secretário Marco Vinholi, 70% dos novos casos de Covid-19 no Estado estão, atualmente, no Interior, sendo que grande parte se concentra em Bauru.

"Janeiro já é um mês que supera agosto. E Bauru é a região com o maior numero de leitos de UTI ocupados no Estado, com 86% de taxa de ocupação. O governo está trabalhando ativamente na instalação de leitos de UTI na região. Dos 52 novos leitos para a região, cinco são de UTI que estão sendo instalados no HC, hoje (ontem), e mais cinco serão na semana que vem. Este é um momento de grande responsabilidade dos gestores municipais, que zelam pela vida da população", afirma o secretário de Desenvolvimento.

O médico João Gabbardo analisou o crescimento de casos em janeiro, em Bauru, e criticou as posturas da prefeita Suéllen Rosim, em deixar o comércio aberto na fase vermelha, e do promotor da Saúde Pública, Enilson Komono, em apoiar o município no descumprimento ao Plano SP. "Talvez o promotor não saiba, mas a cada três pessoas que vão para a UTI, uma irá morrer, mesmo com leito. A taxa de letalidade da Covid-19 é acima de 30%", disse.

ELEVAÇÕES

"Analisemos Bauru, comparando o dia 22 de janeiro com o dia 26. No dia 22, a região de Bauru registrava 12,9 leitos de UTI por 100 mil habitantes. Ontem (anteontem), eram 13,7 leitos de UTI por 100 mil habitantes. Ou seja, aumentamos em 6,2% a oferta de leitos e, não obstante isso, a ocupação subiu de 84% para 86,4%; mesmo com o incremento, a ocupação aumentou em quase 3%", analisa. "Os novos casos em Bauru estavam, no dia 22, em 466 por 100 mil habitantes. Ontem (anteontem), o número havia aumentado para 495 novos casos por 100 mil habitantes. Em quatro dias, cresceu em mais de 8% a pandemia na cidade", concluiu Gabbardo.

100% LOTADOS

Na última segunda-feira (25), a taxa de ocupação das UTIs, de acordo com boletim diário divulgado pela Prefeitura de Bauru, chegou a inéditos 100%, tanto no Hospital Estadual (HE) quanto nas unidades que compõem o Departamento de Saúde Regional de Bauru (DRS-6). A retaguarda da Saúde na região conta com hospitais em Botucatu, Jaú, Lins, Avaré, Perderneiras, Lençóis Paulista, São Manuel, Laranjal Paulista e Promissão, além da unidade bauruense.

Nesta quinta (27), das 50 UTIs disponíveis para Covid-19 no HE, 49 estavam ocupadas. E, na região, a situação é pior, não há mais vagas. Segundo o informe da prefeitura, os 140 leitos de UTI para Covid estavam ocupados ontem nos seis hospitais públicos regionais.

COBRANÇA

O secretário de Desenvolvimento Regional voltou a cobrar que, não só a prefeitura de Bauru, mas todos os municípios paulistas respeitem as determinações do Plano SP. "Não será aceito qualquer tipo de indisciplina à reclassificação, sobretudo por parte de regiões que apresentam índices preocupantes no que tange à pandemia", completou Vinholi.

Ele reforça que decretos estaduais prevalecem sobre normas editadas no contexto municipal e que a análise de divergências entre as leis é de incumbência do Ministério Público.

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