Focar nos treinos e conter a ansiedade dos familiares têm sido a rotina nos últimos dias do meia Raphael Veiga, do Palmeiras. Prestes a enfrentar o Santos na final da Libertadores neste sábado (30), no Maracanã, o jogador demonstra tranquilidade e garante que após o clube alviverde ter disputado as quatro últimas edições do torneio, o aprendizado com as derrotas ajudou o elenco a evoluir. O jogador de 25 anos participou de nove partidas do Palmeiras nesta Libertadores e anotou dois gols.
Com família toda palmeirense, o meia conta o clima antes dessa final. "Está todo mundo ansioso, querendo que sábado chegue logo. A expectativa é grande. Eles não falam dessa ansiedade para mim, mas eu conheço o comportamento deles. O meu pai e o meu irmão são os que mais estão na ansiedade", relata. "No Palmeiras a gente se cobra bastante. Mas pela quantidade de jogos, nós sempre tínhamos de pensar sempre em qual era o próximo jogo. Então, nem pensamos tanto na final. A família procura não ficar falando comigo toda hora disso. Eles respeitam o meu momento também", diz.
O Palmeiras persegue a Libertadores há anos e Raphael Veiga vê o time mais pronto agora. "O elenco foi amadurecendo ao longo desses anos. Tudo o que a gente passa na vida traz aprendizado. Nas últimas edições da Libertadores o time não teve, infelizmente, a chance de chegar à final. Mas essas eliminações na Libertadores trouxeram um amadurecimento para mim e para todos os outros atletas também. Estamos valorizando muito mais agora essa oportunidade de estar em uma final", avalia.
FINAL PAULISTA
Veiga analisa ainda a peculiaridade de ser uma final contra um rival paulista. "Estamos acostumados a nos enfrentar. Mas não será um jogo igual ao que foi no Campeonato Brasileiro ou Paulistão, por tudo o que representa. Será uma grande partida, porque os dois times chegaram com méritos à final. Quem ganha com isso é o futebol brasileiro. Será com certeza um jogo muito difícil", declara.
O meia admite que será estranho jogar uma final tão relevante mas sem torcida. "Nunca será normal jogar uma final de Libertadores sem torcida. O Abel (Ferreira, técnico) até comparou uma vez que jogar sem torcida é como comer picanha sem sal. Dentro de tudo o que está acontecendo, dá para entender. A gente queria o Maracanã cheio, lotado, com barulho. Temos de nos adaptar. Estamos fazendo bem isso. Temos de estar concentrados no que vamos fazer dentro de campo", comenta.
O técnico Abel Ferreira pode ser campeão pela primeira vez na carreira. Veiga comenta sobre o momento do treinador. "Ele é um cara que chegou ao Palmeiras com uma filosofia um pouco diferente. É detalhista demais, cuida de tudo. Ainda que esteja no começo da carreira, tem tudo para dar certo. Vai atingir os objetivos dele, porque é um grande técnico. Ele tem me ajudado muito. Espero que ele possa ganhar o primeiro título agora. Até porque começar com uma Libertadores no currículo não é nada mal, né?"
Veiga ressalta ainda lições que a semifinal complicada diante do River deixaram para a final. "Eles fizeram um gol no começo e acabou mexendo com a gente. Para esse jogo com o Santos, temos de estar concentrados principalmente no começo. É preciso aproveitar as oportunidades que tiver. Decisões assim são detalhes que determinam quem vence", conclui.