No sábado, 6, recebi a informação de um ato de violência bastante grave em um comentário de uma postagem no Facebook: uma crítica sem fundamento sobre uma ação realizada pela Prefeitura, que se aproveitou de uma enfermidade para me atacar covardemente, me chamando de "monoteta".
Vivemos em uma democracia e sempre vou defender a voz de cada cidadão. Mas nunca vou me silenciar diante de comentários graves e abusivos, encorajados pela sensação de anonimato das redes sociais. Foi um desrespeito com a minha história e de várias mulheres, e isso é inadmissível. Já fiz um Boletim de Ocorrência e já estou tomando as devidas medidas judiciais.
Entre 2002 e 2003, fui diagnosticada com câncer de mama, fiz tratamento com quimioterapia, radioterapia e pôr fim a retirada da mama direita e dos nódulos. Além do risco de morte, da angústia e do medo que o diagnóstico de câncer desperta, perder os cabelos e ter uma mama retirada destrói a autoestima.
Como refletido por aquele comentário, o preconceito com o câncer ainda existe. Graças a Deus, eu tive o apoio da minha família e amigos, que me deram forças para lutar. Entretanto, muitas mulheres não tem a mesma sorte, justamente pelo preconceito com essa doença, levando as portadoras a não procurarem ajuda médica precoce.
O comentário retrata outro preconceito: o da participação ativa da mulher na política. Muitas mulheres sofrem com campanhas difamatórias para prejudicar sua imagem.
Sempre trabalhei com honestidade, empenho e transparência e isso se reflete nas urnas: estou prefeita de Pederneiras pelo 3º mandato. E vou continuar com a cabeça erguida e com muita fé para melhorar cada dia mais a vida de cada um.
Minha experiência como portadora de câncer e preocupada com a saúde feminina me fez criar, em 2007, o Centro de Atenção à Saúde da Mulher, onde são ofertados mensalmente cerca de 900 procedimentos entre consultas ginecológicas, exames preventivos do câncer de colo de útero e de mama, entre outras doenças que atingem a saúde da mulher. O centro se tornou referência regional, sendo reproduzido em diversas outras cidades.
Agradeço todas as mensagens de carinho que recebi. Vocês me dão força para continuar porque sei que estou no caminho certo. Estou aqui para continuar estimulando a sororidade.
E, como escrito em uma das mensagens que recebi, cada um dá o que tem no coração. Desejo muita saúde, vida longa e bênçãos divinas a todos.
O preconceito só é curado com informação, amor e empatia.