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Tucanos em extinção ou de nova plumagem?

Adilson Roberto Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

O apoio de Marta Suplicy a Bruno Covas na capital pode ser mais uma pista nesse xadrez político que se delineia. Foi triste ler o tom feliz dos momentos dela na campanha à prefeitura de São Paulo, relatados por Thais Bilenky na Revista Piauí de janeiro. No conjunto de ex-ocupações mencionadas no texto, faltou a estelionatária de votos e de confiança daqueles que a elegeram senadora.

Brincadeiras sérias à parte, ela traiu seu eleitor e o papel que agora desempenha é o de alavanca para candidaturas neoliberais, uma vez que não se sustenta mais como candidata. Não honra o sobrenome que carrega, essa é a conclusão; porém não seria surpresa, Marta Suplicy - golpista de primeira hora - abraçar despudoradamente o bolsonarismo. Ou ainda ela se revelar uma tucana emplumada. Seria típico.

Esse trânsito partidário foi visto nos Estados Unidos, ainda que menos enfático. Ronald Reagan e Donald Trump migraram dos Democratas para os Republicanos. E as coincidências param por aí. Tanto nos EUA como aqui, ter o pior dos presidentes torna bons muitos outros que são ruins. Só o fato de Doria ter alguns pontos positivos como governante na gestão da pandemia é emblemático do fundo do poço em que chegamos com o governo federal (ou fede mal).

Os jornais clamam pela hora de uma verdadeira oposição, mantendo o devido tom de crítica ao desgoverno de Bolsonaro, ainda que usando alguns argumentos questionáveis. Não há política representativa sem partidos políticos, ao menos dentro da legislação em vigor.

A idiossincrasia de um presidente sem partido é reflexo do quanto foram degradados os poderes da República com a ascensão desse néscio ao Palácio do Planalto. Mas são bem distintos os partidos que fazem oposição explícita e, muitas vezes, os primeiros a receber críticas indevidas. Dos partidos raiz, o PSOL é o único que mantém total coerência com seus princípios. Colocar o PSDB como oposição é desconsiderar o alinhamento do partido havido até aqui com o desgoverno Bolsonaro. Lembremos que Aécio Neves foi um dos grandes articuladores para que os tucanos rachassem e apoiassem Arthur Lira. Assim, pouco importa a posição de FHC quando a realidade partidária mostra um fisiologismo continuado.

Por fim, Barjas Negri foi candidato derrotado à reeleição para a Prefeitura de Piracicaba e teve sua candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral. Realmente, ele integrar agora a gestão de João Doria é mais um exemplo típico do tucanato raiz que parece rachar.

O autor é pesquisador na Unesp de Rio Claro.

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