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Pressionada pela pandemia, fila por internação chega em 70 pacientes

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Pressionada pela pandemia da Covid-19, a fila de espera por internação em todas as especialidades médicas chegou ao patamar crítico de 70 pacientes aguardando vaga em unidades de urgência da rede municipal de Bauru, na última sexta-feira (5). Somente no 'mini hospital', denominação dada à junção do Pronto-Socorro Central (PSC) com o Posto de Atendimento da Covid-19 (PAC), eram 32 pacientes com suspeita ou confirmação de infecção pelo novo coronavírus, alguns deles intubados, inconscientes, aguardando a liberação de leitos hospitalares.

De acordo com a diretora do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento (Duupa) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Alana Trabulsi Burgo, além de leitos Covid, a maior demanda de internações urgentes é para especialidades como cardiologia, neurologia e ortopedia. "Para as duas primeiras, as vagas normalmente saem rápido, mas, para ortopedia, a espera nas UPAs tem chegado a dez dias, sem considerar os casos que são emergências de trauma, como os de acidentes de trânsito", frisa.

O JC soube, ainda, que um morador de Piratininga, que aguardava vaga para realizar hemodiálise em Bauru, ingressou com pedido na Justiça na última semana para ter direito ao serviço, mas morreu antes da decisão.

Alana explica que a situação nas unidades de pronto atendimento do município, incluindo o 'mini hospital', é a mais crítica desde o início da pandemia. Na manhã desta segunda-feira, o número de pacientes aguardando vaga de internação já havia caído para 51 e, à noite, para 40, volume ainda considerado alto.

O principal motivo para este represamento, a diretora explica, é a alta demanda por atendimento de pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19. Nesta segunda, dez moradores de Bauru estavam no 'mini-hospital' à espera de vaga de UTI, sendo que nove estavam intubados e um deles já estava na fila há cinco dias.

LEITOS NA RECEPÇÃO

Outros 12 estavam na fila por leito de enfermaria. "Para enfermaria, a média de espera é de dois dias. Já leito de UTI demora mais para liberar. Estamos vivendo a pior situação desde o início da pandemia. Antes, tínhamos oito, nove pessoas aguardando vaga. Além de ter aumentado a quantidade de pacientes, aumentou o tempo de espera. Tivemos, também, alta de ordens judiciais para internação", acrescenta.

Alana Trabulsi Burgo revela que o 'mini-hospital', instalado pela Secretaria Municipal de Saúde no fim de janeiro frente à insuficiência de vagas do Estado, tem capacidade para atender, hoje, até 52 pacientes de Covid de uma só vez, acomodando leitos em todo os espaços do PSC/PAC - inclusive nos corredores e onde ficava a antiga recepção - e os equipando com respiradores, monitores e bombas de infusão.

"Temos suporte ventilatório, tomografia, as medicações necessárias para estabilizar o paciente, mas não contamos com a estrutura de um hospital. Não temos hemodiálise, ecocardiograma ou neurologista e cardiologista para acompanhar complicações da Covid. Porém, ninguém ficou sem assistência", frisa a diretora.

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