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Explode a inadimplência no DAE

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 3 min

Um levantamento feito pelo DAE mostra que a autarquia registrou uma explosão de inadimplência entre 2019 e 2020 em Bauru. Somente em dezembro do ano passado, a quantidade de contas que não foram pagas pela população totalizou R$ 2,55 milhões, ou seja, 20,91% dos R$ 12,2 milhões que deveriam ter sido arrecadados no período (veja os números no quadro abaixo). A quantia é sete vezes maior se comparada ao mesmo mês de 2019, data em que R$ 339 mil (2,98%), dos R$ 11,4 milhões que seriam faturados, não foram recebidos. A reportagem acionou o DAE na segunda-feira (8), mas o órgão não se posicionou sobre como irá reaver esses valores e de que forma isso pode prejudicar os serviços efetuados na cidade.

A Covid-19 impactou diretamente no aumento sensível dos inadimplentes. Além de muitos bauruenses terem perdido a renda e, assim, acabarem ficando sem condições financeiras de arcar com as contas mensais, o município implantou, logo no início da pandemia, a suspensão de cortes no fornecimento de água de imóveis mesmo que o pagamento das faturas não fosse feito por três meses ou mais.

Esses impactos diretos ficam explícitos no levantamento de inadimplência, assinado pela diretoria da Divisão Financeira do DAE. No balanço, consta que, em 2019, o valor total somado das dívidas mês a mês foi de R$ 2,78 milhões, o equivalente a 2,04% da quantia que seria faturada. Já em 2020, esse montante quase quadruplicou, chegando a R$ 10,33 milhões, o que representa 7,39% do que foi cobrado da população naquele ano.

Como a suspensão de cortes de água foi anunciada pela prefeitura em 27 de março de 2020, ela só entrou em vigor a partir de abril. Naquele mês, a autarquia contabilizou 3,93% de valores não pagos. A partir de maio, essa quantia cresceu mensalmente até uma explosão no último trimestre do ano. Em outubro, chegou a 8,90%, e, em novembro, subiu para 12,82%. Já em dezembro, houve um grande salto para 20,91% de inadimplência.

Vale lembrar que, conforme o JC noticiou, a suspensão de cortes foi prorrogada na última quinta-feira (4). Segundo o decreto municipal publicado pela prefeita Suéllen Rosim (Patriota) na data, a medida seguirá em vigor enquanto durar a situação de emergência em saúde pública em Bauru, provocada pela pandemia.

SEM RESPOSTA

A reportagem solicitou, durante a tarde desta segunda-feira (8), uma entrevista com um porta-voz do DAE para tratar do aumento da inadimplência. Porém, foi informado que o diálogo seria por e-mail. Diante disso, o JC enviou, no mesmo dia, os questionamos à autarquia.

Foi perguntado sobre a motivação para o aumento da inadimplência; se estaria relacionado ao rodízio de água implantado no final do ano e ao volume de solicitações de recálculo de contas; de que forma a suspensão dos cortes durante a pandemia contribuiu para essa elevação; e como essa diminuição de arrecadação impactará nos serviços prestados à população. Além disso, foi indagado se o DAE criaria um programa de refinanciamento (Refis) para reaver estes valores.

Porém, até o fechamento desta edição, o órgão não respondeu aos questionamentos enviados pela reportagem, deixando a população bauruense sem as devidas respostas.

 

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