Articulistas

Um ano de pandemia. Parece que foi ontem!

Andreza Aparecida de Lima
| Tempo de leitura: 2 min

No final do ano passado, uma pontinha de esperança pairava em nós, brasileiros. Todo mundo desejava ardentemente que 2021 chegasse logo. Todo mundo achava que estaríamos livres e que, enfim, poderíamos novamente nos abraçar, sair de casa sem medo, começar a volta à vida normal. Como psicóloga aprendi que sempre devemos acreditar nas pessoas, que todas elas têm um potencial de mudança, que são passíveis de erros, mas capazes de reverter situações. Eu juro que tentei me apegar a essa teoria, até que eu e minha mãe (de 74 anos) fomos contaminadas pela Covid-19 em meados de janeiro. Essa doença é aterrorizante. Você lida com um inimigo invisível e não sabe o que esperar dele. Você se sente a criatura mais impotente da face da terra e, se não bastasse todos os males orgânicos, ele te afeta bruscamente no aspecto emocional. Você não sente vontade de sair da cama nem do sofá, porque o seu cansaço é tanto que não consegue ficar em pé para fazer a sua própria refeição. Ele te rouba o cheirinho do café recém-coado e o sabor de seu prato preferido. Ele te assombra tanto que você tem medo de acordar, se é que conseguiu dormir, e perceber que sua situação piorou. Sim, ele é rápido, cruel, algoz.

E assim, espera. Espera pela melhora. Espera pela compaixão e solidariedade do outro. Espera pelo prato de comida pendurado no portão. Espera, espera, espera, mesmo que a um metro e meio de distância, espera. Muitas pessoas disseram que este vírus veio para tornar o homem um ser mais evoluído, solidário e grato. O vírus deixaria na humanidade a consequência positiva de dar mais importância para as coisas simples, para as conquistas, para as emoções mais básicas, para a vida e para os seus. Eu gostaria de acreditar nisso! Um ano depois vejo tudo exatamente igual: irresponsabilidade, desdém, negacionismo, egocentrismo, individualismo.

O ser humano possui uma capacidade impressionante de readaptação, a tudo ele se acostuma e, neste caso, isso é muito triste! Porque quando menos esperamos acontece com alguém muito próximo e, perceber o quanto fomos covardes, irresponsáveis e incrédulos, dói muito mais que a dor da perda. Somos eternamente gratas por termos vencido a Covid. Cuidem-se.

Usem máscara. Lavem as mãos. Fique em casa. O mundo precisa de oração, essa arma nós temos! Ouvi falar que Deus é especialista em reviravoltas!

A autora é psicóloga e doutora em Saúde Coletiva.

Comentários

Comentários