Geral

Servidoras da Saúde são agredidas na UPA Ipiranga e caso não é único

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 2 min

O coronavírus tem sido só mais um dos grandes problemas encarados por profissionais da Saúde que estão na linha de frente das Unidades de Pronto-Atendimento (UPA) de Bauru. Os servidores municipais enfrentam lotações das unidades, que de acordo com eles triplicaram o atendimento, e a insegurança total nos momentos de fúria e desespero de pacientes e acompanhantes. Ontem, uma enfermeira e uma técnica de enfermagem foram agredidas na UPA da Vila Ipiranga. E, segundo elas, não foi a primeira vez. Também não é um fato isolado na Saúde pública.

A enfermeira Juraci Maria Fernandes, 54 anos, disse que nesta terça-feira (16), antes das 12h, como em todos os dias, o fluxo de atendimento na UPA estava grande, devido à pandemia e ao fato de o Pronto-Socorro Central ter se tornado um 'mini-hospital' para casos de Covid, redirecionando as demais enfermidades. 

Ela relata que uma mulher chegou com o irmão e, apesar de o caso não ser considerado atendimento prioritário, ele foi classificado desta forma. No entanto, após cerca de 15 minutos na UPA, a acompanhante se alterou. As agressões foram gravadas pelo sistema de segurança e por diversas pessoas que preferiram filmar com o celular do que ajudar. 

"Ela começou a me agredir verbalmente e depois partiu pra cima de mim. Me empurrou e machuquei o ombro na parede. Depois, acertou o meu rosto e quebrou o meu óculos. Por fim, tentou me acertar mais um soco, até que a Lilian veio ao meu socorro e também foi agredida", comenta Juraci.

Ela acrescenta ainda, indignada, que grande parte dos pacientes presentes instigou a violência dizendo "tem que bater, elas têm que apanhar", tudo isso com celulares em punho.

FREQUÊNCIA

Lilian de Farias Silva, 39 anos, técnica de enfermagem, levou um soco no olho direito. Ela reclama que os servidores trabalham sem nenhum tipo de segurança. "As agressões verbais têm ocorrido diariamente. E, fisicamente, não foi a primeira vez. Já apanhei outras vezes e na semana passada uma médica foi agredida aqui. Nenhum vigilante interveio. Aliás, eles falam que são patrimoniais, que estão aqui para cuidar do prédio. Ou seja, não pode quebrar o patrimônio, mas o servidor pode quebrar...", critica.

GRAVE

Lilian destaca o fato de a vigilante da empresa terceirizada, presente no momento das agressões, que possui treinamento, não socorrer e nem protegê-las. "Ela simplesmente deixou o local, se escondeu. Queremos trabalhar com dignidade. Eu fiquei mal por Covid e a Juraci chegou a ir para o semi-intensivo, quase precisou ser entubada. Escolhemos salvar vidas, não vamos desistir disso, mas queremos respeito e segurança. Hoje estamos com medo da Covid e da própria população", reitera.

A Polícia Militar registrou o boletim de ocorrência de "vias de fato". Ambas comunicaram a Secretaria de Saúde, porém, segundo elas, a pasta não enviou ninguém para conversar com as duas no local. O JC não encontrou a agressora para prestar esclarecimentos.

Comentários

Comentários