Buenos Aires - A Argentina destoou dos demais países-membros do Mercosul ao rejeitar uma flexibilização da Tarifa Externa Comum (TEC), demanda de Brasil, Uruguai e Paraguai, na abertura da cúpula que marca os 30 anos do bloco.
O presidente argentino, Alberto Fernández, afirmou que "não crê nesse instrumento" e propôs a formação de comissões para estudar o assunto.
As reações de Brasil e Paraguai foram duras, mas diplomáticas, enquanto o presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, afirmou de modo mais enfático que "o Uruguai não tem tempo" e que "precisa destas mudanças".
IRRITAÇÃO
Visivelmente irritado, Fernández retomou a palavra ao final da rodada de discursos e afirmou que "não quer ser um peso para ninguém". "Acabemos com essas ideias, se creem que o Mercosul é uma âncora, que saiam do barco e tomem outro. Para mim é uma honra ser parte do bloco."
As propostas de flexibilização do bloco serão debatidas em abril, num encontro de chanceleres, com a Argentina como anfitriã.
Lacalle Pou também afirmou que as mudanças devem ocorrer rápido. "O Uruguai precisa muito avançar no sentido dessa flexibilização. Não há tempo de formar comissões, o mundo vai mudando muito rápido. Precisamos fazer isso com o Mercosul, mas com mais velocidade", disse.
Além do presidente uruguaio, os demais chefes de estado também pediram celeridade ao pedido de flexibilização do Mercosul.
Fernández tomou a palavra ao final da rodada de discursos e reagiu às críticas. "Não quero ser a âncora de ninguém", disse, referindo-se a Lacalle Pou. O presidente argentino afirmou que, se para o uruguaio o Mercosul parece ser uma carga, "é melhor que abandone o barco".