Uma organização criminosa movimentou mais de R$ 16 milhões, agindo como uma falsa Organização Não Governamental (ONG), se aproveitando de doações feitas por indústrias farmacêuticas e revendendo os medicamentos recebidos para drogarias e redes de farmácias. O valor movimentado representa diretamente o prejuízo causado às indústrias doadoras da falsa ONG. Os produtos eram armazenados em Bauru. Os nomes dos envolvidos não foram informados.
Após a investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), de Bauru, o Ministério Público de São Paulo ajuizou três ações penais contra o grupo e determinou a indisponibilidade de bens.
Apesar de estar baseado em Bauru, o grupo comercializava os produtos irregulares para todo Estado. O esquema fraudulento foi identificado pelo Gaeco, de Bauru, durante uma investigação que apurava outros crimes cometidos pela quadrilha, desde 2018, pelo armazenamento, transporte e distribuição irregular de medicamentos.
Durante esta investigação, os policiais perceberam que as embalagens dos remédios eram adulteradas. Ao apurar as razões, entre 2020 e 2021, o Gaeco descobriu que a falsa ONG fazia contato com as distribuidoras com pedidos de doações, alegando que os remédios seriam repassados ou vendidos exclusivamente para órgãos públicos.
Após receberem as doações ou conseguirem descontos de até 90% no valor de mercado dos produtos, o grupo retirava das embalagens a mensagem de "venda proibida ao comércio" e revendia os produtos para farmácias e drogarias, usando empresas de fachada para fechar o negócio. Para isso, utilizam produtos de limpeza facilmente encontrados em supermercados.
De acordo com Gaeco, 70% do esquema criminoso era abastecido pelos medicamentos que a ONG recebia em doação. O restante dos produtos eram comprados, por meio de sonegação de impostos.
Durante as investigações, dois galpões foram lacrados pelo Gaeco. A quadrilha armazenava as doações em Bauru. Em outra cidade, localizada no Estado do Espírito Santo, o grupo recebia representantes das indústrias que faziam as doações, para convencer os doadores da legalidade da ONG. No mesmo local, recebiam também representantes dos bancos usados para movimentar os recursos da falsa ONG, quando os altos valores levantavam suspeitas. Após a conclusão dos processos, a Justiça decidirá pelo pedido ou não de prisão contra os envolvidos.