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Após crítica de universidades, Claudia Toledo abre diálogo com reitor da USP

Tisa Moraes Com Folhapress
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Após ter sua indicação criticada pelas universidades estaduais paulistas, a nova presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a bauruense Claudia Mansani Queda de Toledo se reuniu virtualmente nesta segunda-feira (19) com o reitor da Universidade de São Paulo (USP), professor Vahan Agopyan. Conforme o JC apurou, diante da pressão vinda do meio acadêmico e até do meio político, a professora decidiu chamar os setores ao diálogo. Ela não pretende deixar o cargo.

Como resultado deste primeiro aceno, a reitoria da instituição informou, por meio de nota, que recebeu a iniciativa "com satisfação". Pontuou, também, que o encontro foi produtivo e que outros serão agendados, quando a USP irá apresentar "pautas que considera relevantes para a pós-graduação da universidade e para o Sistema Nacional de Pós-Graduação".

No último sábado, Agopyan e os reitores Marcelo Knobel (Unicamp), Pasqual Barretti (Unesp) e Antônio Meirelles (reitor nomeado da Unicamp) publicaram, no site do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), um manifesto destacando que a qualificação técnica, o abrangente conhecimento sobre a pós-graduação e sobre o sistema de educação, além do currículo acadêmico, devem ser os critérios para a escolha de dirigentes da Capes, órgão que regula e fomenta a pós-graduação no País.

"A legitimidade para o diálogo institucional é pré-requisito para o sucesso das estratégias a serem definidas para qualificar e consolidar cada vez mais o sistema existente. Sem estes, como é o caso da presente nomeação, antevemos enormes dificuldades na gestão futura da Capes. E lamentamos profundamente que isto ocorra", dizia o comunicado.

MULHER E MÃE

Na quinta-feira (15), Claudia havia publicado uma carta de intenções, que contempla dez pontos para a pós-graduação nacional. Por meio de nota enviada ao Jornal da Cidade, ela informou que três deles já foram implementados.

Disse, ainda, que está há poucos dias à frente da Capes e que, por isso, as críticas dos reitores não podem estar vinculadas à sua gestão. Também afirma que ressalvas feitas ao seu currículo acadêmico, como as tecidas pela Sociedade Brasileira de Física e Sociedade Brasileira de Química, não condizem com o histórico de outras presidências do CNPq e da Capes.

"A nova presidente não quer supor que parte dessas críticas se dirija ao fato de ser mulher e mãe, que desenvolveu suas atividades acadêmicas em conciliação permanente com a família. Seria pouco aceitável que, em pleno século 21, especialmente em se considerando a natureza ilustrada do ambiente universitário, esse tipo de crítica seja baseado em tais critérios", destaca a nota.

DESCONFIANÇA

Claudia Toledo é doutora em direito pela ITE - atual Centro Universitário de Bauru - e o fato de ela ter sua carreira acadêmica vinculada à instituição da própria família foi visto com desconfiança por alguns setores. Por outro lado, parte de sua produção acadêmica foi identificada como de esquerda por apoiadores de Jair Bolsonaro.

Em artigo de 2018, ano da eleição, ela escreveu que o desrespeito ao outro permite "o renascimento de regimes totalitários, capitaneados por novos (pseudos) messias". O trecho não passou despercebido por grupos de direita no entorno do governo, que interpretaram crítica velada ao presidente, que tem Messias em seu nome. Citações ao educador Paulo Freire, frequentemente criticado por Bolsonaro e apoiadores, e outro artigo sobre direitos humanos e diversidade sexual também chamaram a atenção.

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