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Sobrecarregadas, as UPAs registram faltas de médicos

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Sobrecarregadas por atenderem, além de suas próprias demandas, as do Pronto-Socorro Central (PSC) - que foi transformado em mini hospital Covid-19 -, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) viraram motivo de mais preocupação após passarem a registrar desfalque rotineiro de médicos em plantões. Nas últimas semanas, as UPAs Geisel, Ipiranga e Bela Vista tiveram aumento nas filas de espera por atendimento. Responsável pela contratação dos profissionais, a Fundação Regional Estatal de Saúde da Região de Bauru (Fersb) foi cobrada pela Secretaria Municipal de Saúde quanto à adequação de escalas e ficou de emitir um posicionamento na próxima semana.

Ao JC, a diretora da fundação confirma que há dificuldade na contratação de empresas médicas para o serviço e aponta o esgotamento dos profissionais e a oferta maior de plantões pela região entre os motivos que gerariam o desinteresse (leia mais abaixo).

Secretário de Saúde de Bauru, Orlando Costa Dias diz que o problema nas escalas começou em março. A UPA Geisel teve 92% de cobertura dos plantões médicos no último mês. Já a UPA Ipiranga, 94%, e a UPA Bela Vista 96%.

"A escala tem que ser de 100% coberta, é o que está no contrato. Se de três médicos no plantão houver um só, uma fila tremenda e demorada se forma. Estamos falando de unidades de urgência. As pessoas não vão lá para passear", cobra o secretário municipal de Saúde, Orlando Costa Dias, que esboçou sua insatisfação com essa situação das UPAs também em audiência pública na Câmara Municipal, na última quarta-feira (28).

A falta de dois profissionais em um mesmo plantão, exemplificada pelo secretário, ocorreu em 19 de abril, na UPA Geisel, quando apenas um médico atuou das 13h às 19h, período em que a escala demandava três profissionais. "É algo que gera um grande transtorno. Nunca tivemos que fechar uma unidade por falta de médicos, mas o que não pode é essa falta virar rotina. Entendemos que há esgotamento, mas o contrato tem que ser cumprido", pontua o secretário.

Sobre o quadro de médicos efetivos da prefeitura, Dias aponta que a prefeitura aumentou de 209 para 223 o número de médicos na rede municipal, entre 2020 e 2021, e ressalta que a lei não permite mais contratação até o final do ano. "Por isso eu conto com a Fersb, para que eles conversem e cobrem os médicos", reforça.

DIFICULDADE

Diretora da Fersb, Cláudia Sgavioli esclarece que a falta não é de profissionais que assumiram compromissos e não compareceram, mas sim por empresas que deixaram de prestar o serviço para a fundação. A dificuldade ocorre especialmente para contratação de plantões aos finais de semana e segundas-feiras. A fundação, no entanto, está com credenciamento aberto e se esforça para cobrir as escalas, segundo Cláudia.

"Vários motivos contribuem para o problema, como a sobrecarga e a oferta de serviços aos médicos, que aumentou muito na macrorregião de Bauru. Percebemos que essa procura maior ocorreu ao mesmo tempo em que aconteceu uma diminuição do interesse pelo serviço, seja por estafa, ou por doença deles ou da própria família", comenta. "Os profissionais de Saúde como um todo começaram a escolher quando e onde atuar", completa.

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