Brasília - O governo federal trabalha para tentar evitar que o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) use a CPI da Covid no Senado como palanque eleitoral para 2022. será o primeiro a prestar depoimento.
A força-tarefa montada no Palácio do Planalto para levantar dados a serem usados nas audiências mobiliza servidores da Casa Civil, da Secretaria de Governo, da Secretaria-Geral e da Secom (Secretaria de Comunicação).
Integrantes do grupo de trabalho do Planalto admitem que estão promovendo um pente-fino em atos da gestão de Mandetta, hoje desafeto do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
A ideia é restringir as perguntas feitas a Mandetta ao período em que ele esteve à frente da Saúde, para evitar, segundo governistas, que o ex-auxiliar se transforme em uma espécie de comentarista político de ações tomadas por Bolsonaro após sua saída do cargo.
Também é uma forma de apresentar Mandetta como copartícipe da estratégia inicial de enfrentamento à Covid da administração Bolsonaro, o que diminuiria sua credibilidade como crítico de medidas tomadas pelo presidente.
"O protocolo do Mandetta era 'fique em casa até sentir falta de ar'. Eu perguntei para ele: 'O cara sente falta de ar e vai para o hospital para quê? Para ser intubado?' Por isso a pressa para comprar respiradores. Estão entendendo a jogada?", disse o presidente a apoiadores no último dia 16.
Porém governistas também devem salientar acertos e vão argumentar que eles tiveram a participação do mandatário.
Um assessor de Bolsonaro cita como exemplo a decisão do governo de decretar estado de emergência no Brasil ainda em 4 de fevereiro de 2020, antes de a OMS (Organização Mundial da Saúde) declarar a pandemia, em 11 de março.
OS DEMAIS
Embora seja um adversário de Bolsonaro, Mandetta não é o depoimento mais problemático da semana, na avaliação de aliados. Ainda nesta terça-feira, será ouvido Teich. Amanhã fala o ex-ministro Eduardo Pazuello, general que comandou a Saúde no período mais latente do negacionismo de Bolsonaro.
Interlocutores opinam que a participação de Pazuello tem potencial de gerar forte desgaste para o governo.
Diferentemente de Mandetta e Teich, o general não criou qualquer obstáculo para o incentivo do uso da hidroxicloroquina e da azitromicina como medicamentos para o tratamento da Covid, mesmo sem eficácia comprovada.