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Breves reflexões sobre a moral em tempo de pandemia

Rita Melissa Lepre
| Tempo de leitura: 2 min

Em tempos de crise são sempre apresentadas algumas possibilidades de reflexão e transformação às pessoas, a partir da exposição e questionamento de valores, regras, interações sociais e questões advindas das vivências cotidianas. A pandemia da Covid-19, crise sanitária e humanitária sem precedentes neste século, revelou o melhor e o pior das pessoas e escancarou a necessidade de intensificar a preocupação e ações no que se refere ao desenvolvimento moral dos sujeitos.

Demonstrações de condutas de negacionismo, preconceito, falta de empatia, desfilam pelas redes sociais e relações humanas cotidianas. Festas clandestinas, recusa na utilização das máscaras, desrespeito aos protocolos que visam a saúde pública, aglomerações em situações diversas, além de ataques à democracia, perseguições, intolerância com opiniões, declarados ataques à ciência e à universidade pública, entre outras.

A questão que coloco para refletirmos é a de que grande parte das pessoas que adotam tais condutas passaram pela escola. Estiveram presentes, e frequentaram, de alguma forma, os bancos escolares. Devem ter aprendido, ainda que minimamente, matemática, língua portuguesa, ciências naturais, entre outros conhecimentos fundamentais à humanidade. Conhecimentos esses que defendo como altamente necessários à construção de nossa humanidade e de nossos processos psíquicos mais avançados. Porém, não suficientes. Também deve ser objetivo da escola educar em valores, como um projeto coletivo que envolva a família, a comunidade e a sociedade. Valores morais são ensinados a partir de intervenções que tenham a justiça, a cooperação, a solidariedade, o respeito mútuo e a empatia como meios e fins.

Nesse sentido, é importante que a escola, ao lado da família e da sociedade em geral, se envolva com o projeto de educar moralmente para que a humanidade, construída a partir dos conhecimentos acumulados ao longo de nosso desenvolvimento, se complemente e se fortaleça com as questões éticas e morais. Não se trata, obviamente, de culpabilizar a escola e seus atores pelas mazelas morais que estamos vivenciando mas, outrossim, de reforçar sua importância como lócus importante da construção da moralidade.

A pandemia da Covid-19 nos revela o quanto ainda temos a aprender sobre a convivência ética e moral desenvolvendo juízos e raciocínios morais mais elevados que possam nos permitir condutas éticas frente aos dilemas morais que nos são apresentados. A humanidade se constrói; a moralidade também. Essa construção parece precisar de incentivos urgentes.

Unamos forças e façamos nossa parte!

A autora é livre docente em Psicologia da Educação. Depto. de Educação - Unesp.

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