Tribuna do Leitor

Mário Moraes

Prof.º Gilberto Sidney Vieira
| Tempo de leitura: 1 min

O sr. João Baptista de Moraes (1966) era encarregado de nos fazer um delicioso cafezinho hebdomadariamente na Delegacia de Saúde de Bauru, que ficava num vetusto casarão sito na esquina da rua Cussy Jr. com a rua Agenor Meira.

Até hoje tal prédio resiste ao tempo, agora alugado para fins comerciais. Numa tarde com canícula reinante ele trouxe seu filho, 13 anos de idade. Garoto simpático, mas muito tímido. As vindas dele para um café à tarde fo- ram ficando assíduas. Depois, paulatinamente, foram minguando até que ele não mais vinha.

Muitos anos mais tarde ouvi, com surpresa, sua voz de locutor de rádio. Passou pela Terra Branca, PRG-8 e Auriverde. A sua timidez de garoto cedeu a uma voz de adulto facundo. Era um comunicador de massa .

Mas em 16/5/20, numa prévia gravação para a FM Unesp-Bauru, de onde se afastara do microfone ao vivo, por causa da pandemia da Covid-19, declarou com tristeza na alma que sentia muita saudade dos colegas de trabalho, agora todos ausentes dele por causa do "lockdown" social. Falou da inabalável esperança em sair logo da quarentena indesejável.

Infelizmente, em 30/3/21, com sua saúde agravada por complicações geradas pela Covid-19 que se instalou em seu corpo, com 68 anos de idade exalou seu último suspiro.

Mário Moraes: uma voz marcante, impostada, aveludada, férica, maviosa, melíflua, inesquecível.

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