Ao falarem dos filhos, as mães por vezes usam verbos no presente, para em seguida repetir a frase, mudando-o para o tempo passado. Deixa de dizer "tem", para dizer "tinha". A psicóloga Erika Pallottino, do Instituto Entrelaços, afirma que parte importante do "refazimento" após uma perda é a de compreender que a morte não corta vínculos. "A gente não deixa de ser mãe, pelo contrário", concorda Jéssika. "A diferença é que agora a gente é mãe na terra e no plano espiritual." Isso não significa que as datas comemorativas não sejam difíceis. "O filho enterrar a mãe é um clichê, mas a mãe enterrar o filho dá sensação de incompetência", lamenta Regina Evaristo. Mãe de Alan Patrick, que morreu aos 38, ela diz que não tem forças para comemorar a data. Pallottino aconselha que as mães tentem se preparar para a data, avisando parentes se querem ficar sozinhas ou não. "Eu quero dizer para as mães que incentivem seus filhos a se cuidarem", aconselha Clacy, mãe de Luiz Fernando Cardoso, também morto pela Covid-19. "O meu filho, com todo o cuidado que tinha, contraiu esse vírus e nos deixou."
escolha sua cidade
Bauru
escolha outra cidade