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100 mil hidrômetros estão vencidos e substituição deve começar só em 2022

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

A escassez de água em Bauru, que levou à antecipação do rodízio e à abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar a execução do Plano Diretor de Água (PDA), também tem levantado a discussão sobre o desperdício do líquido. Para se ter ideia, os hidrômetros vencidos representam uma perda de 11,7% de toda a água produzida na cidade, que possui 100 mil equipamentos - de um total de 145 mil - fora do prazo de validade. O orçamento limitado, contudo, só permitirá que o DAE realize a troca de 22 mil destes hidrômetros e a substituição nem é para agora. Ela deverá começar só a partir do ano que vem e, para tanto, a autarquia pensa em desembolsar até R$ 2,5 milhões.

Presidente do órgão, Antonio Marcos Saraiva explica que os hidrômetros são do tipo monojato, cujo eixo se desgasta com o tempo e o equipamento não mais registra o consumo total da água. "A autarquia deixa de arrecadar para investir em melhorias junto ao sistema e os munícipes não se importam em economizar, afinal, pagam uma conta menor do que eles deveriam", complementa.

Em tese, a troca dos hidrômetros é uma obrigação dos moradores. Contudo, como eles comumente não o fazem, o DAE tomou a iniciativa para tentar evitar perdas de água.

Ainda segundo Saraiva, 45 mil hidrômetros da cidade estão regulares, mas 100 mil ou quase 70% do total já passaram do prazo de validade, que gira em torno de cinco anos. "Nós não temos condições de trocar todos eles e resolvemos priorizar os bairros que abrigam os equipamentos com mais de duas décadas, como os do Centro, Bela Vista, Vista Alegre e Alto Paraíso", observa.

O presidente do DAE revela que a autarquia faz um levantamento de todos os hidrômetros que deverão ser substituídos e espera que a licitação para a compra dos equipamentos fique pronta até o final deste ano para que o serviço comece em 2022.

A equipe do órgão também estuda a possibilidade de adquirir os hidrômetros do tipo multijato, que têm um desgaste inferior aos do monojato, mas ainda pesquisa se estes equipamentos atendem à demanda doméstica.

Ao todo, 23 servidores do órgão, ligados ao Setor de Hidrometria, deverão realizar a substituição dos equipamentos. A expectativa é de que eles consigam trocar 2 mil hidrômetros por mês para concluir o trabalho até o final do ano que vem. "Após cinco meses da substituição dos equipamentos, o DAE começará a sentir o retorno financeiro, que poderá aumentar de 11% a 15%", acrescenta.

VAZAMENTOS

Além do desperdício provocado pelos hidrômetros vencidos, o município sofre com os vazamentos. "Como nós não conseguimos dar conta de tudo, priorizamos os maiores vazamentos e, quando temos uma região com vários problemas do tipo, direcionamos os mesmos servidores na tentativa de ganhar tempo", comenta.

Algumas regiões, de acordo com Saraiva, abrigam uma tubulação antiga que carece de substituição, mas outras poderiam receber apenas aliviadores de pressão para retirar o ar. "Nós pretendemos instalar estes equipamentos tão logo iniciarmos o processo de macro setorização, que consiste em subdividir os bairros da cidade em um menor número de setores maiores e, assim, enviar a água com a mesma pressão para todos eles, evitando o desabastecimento", pontua.

Outra ação diz respeito à troca do ramal inteiro da tubulação que apresentar algum vazamento em vez de somente emendá-la. "É comum o DAE trabalhar em um vazamento e, no dia seguinte, o problema acontecer ao lado do mesmo. Por ora, a substituição do equipamento já ocorre em bairros como o Vista Alegre, Jardim Godoy, Parque São Geraldo e Vila Santa Luzia, mas, tão logo chegarem os materiais, que nós já licitamos, pretendemos expandir para toda a cidade", finaliza.

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