Esportes

Quer cancelamento


| Tempo de leitura: 2 min

O governo japonês e o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020, adiados em um ano por causa da pandemia do novo coronavírus, têm mais um problema para lidar no país. Nesta quinta-feira (13), o Sindicato Nacional de Médicos do Japão apresentou uma petição para que o evento esportivo, marcado para começar oficialmente em 23 de julho, seja cancelado

De acordo com o texto divulgado pelo sindicato, as Olimpíadas, que terão a participação de 11 mil atletas de todo o planeta, é um risco para a possível chegada e a propagação de novas cepas da Covid-19. O documento apresentado para o Ministério da Saúde deixa claro que, mesmo se a competição for realizada sem público, a chegada de todos os envolvidos com os Jogos Olímpicos, desde atletas e árbitros até jornalistas, pode ser propícia para que novas cepas apareçam no Japão.

"Para os atletas será duro, mas alguém tem que pedir o cancelamento dos Jogos. Por isso, pedimos isso. O governo tem uma importante missão, que é proteger a vida dos cidadãos e deve mostrar uma postura clara com relação a isso", disse o médico Naoto Ueyama, representante do sindicato.  "Não podemos negar o perigo que representam as numerosas novas variantes do vírus que vão chegar a Tóquio a partir de todo o mundo", diz o comunicado da entidade.

Os especialistas japoneses estão chamando o atual momento da pandemia no país de quarta onda. O número de novos casos está acima de 5 mil por dia, cinco vezes mais do que se via há dois meses. Boa parte do Japão está em estado de emergência até o próximo dia 31, enquanto que a vacinação ainda está engatinhando, com menos de 2% da população imunizada.

Um sindicalista disse que "40% dos médicos em atividade já ultrapassaram o limite de horas extras e 10% está trabalhando o dobro do limite legal de horas. Esta carência de médicos é um fator que afeta muito nosso sistema. O governo precisa reduzir o número de médicos".

Os Jogos Olímpicos enfrentam grande resistência no Japão por conta do aumento do número de casos. Nos últimos dias, vários governadores de províncias japonesas indicaram que não reservarão leitos hospitalares para atletas enfermos. A maioria da população também é contrária à realização dos Jogos neste momento, segundo pesquisas recentes.

Enquanto isso, dezenas de cidades japonesas abandonaram os planos de hospedar atletas antes do evento por causa da preocupação de que eles sobrecarregariam os recursos médicos, relatou o jornal Nikkei. Quarenta das mais de 500 cidades registradas para receber competidores internacionais decidiram não aceitar atletas para campos de treinamento e intercâmbios culturais.

Ainda assim, o Comitê Olímpico Internacional (COI) se disse otimista em reverter a opinião pública com o sucesso das Olimpíadas. O evento está previsto entre os dias 23 de julho e 8 de agosto. Poucos dias depois começarão as Paralimpíadas, de 24 de agosto a 5 de setembro.

Comentários

Comentários