Esportes

Final 'internacional'


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O argentino Hernán Crespo, do São Paulo, e o português Abel Ferreira, do Palmeiras, iniciam nesta quinta-feira (20), às 22h, a decisão do Campeonato Paulista, no Allianz Parque. Neste duelo, a nacionalidade dos técnicos precisa de destaque. Esta é a primeira final da história do torneio estadual entre treinadores estrangeiros. O troféu tem peso diferente para os dois comandantes: o são-paulino carrega o jejum de nove anos; o palmeirense já levantou duas taças recentes em poucos meses de trabalho.

Por ter feito a melhor campanha, o São Paulo terá a vantagem de fazer o segundo confronto em casa, no Morumbi, no domingo (23), às 16h. Em caso de igualdade nas duas partidas, o título será decidido nas penalidades.

Esse duelo vai encerrar um longo tabu no Paulistão. Desde 1975, nenhum técnico estrangeiro levantou a taça no estadual mais importante do País. Já são 46 anos. Na ocasião, o argentino José Poy, lendário comandante tricolor, derrotou a Portuguesa, nos pênaltis. De lá para cá, não tem sido fácil para um estrangeiro sequer chegar ao pódio. Isso só ocorreu duas vezes, ambas com o São Paulo. A primeira foi com o mesmo José Poy, vice em 1982. A segunda foi com o uruguaio Dario Pereyra, em 1997.

Esses dados vão além das curiosidades históricas. Crespo e Abel reafirmam o aquecimento do mercado brasileiro para professores de outras nacionalidades. Foram valorizados sobretudo depois das conquistas de Jorge Jesus no Flamengo e dos novos conceitos de Jorge Sampaoli com o Santos. Só na temporada passada, dez comandantes estrangeiros trabalharam em clubes da primeira divisão. É um recorde desde 2001.

DUELO TÁTICO

Taticamente, São Paulo e Palmeiras são parecidos. A final deve apresentar um duelo de espelhos táticos: os dois times costumam usar o esquema com três zagueiros. Com mais tempo no cargo, Abel Ferreira adotou o sistema eventualmente em 2020 e o São Paulo não jogava assim desde Rogério Ceni, em 2017. Hernán Crespo treina titulares e reservas no sistema, com a mesma ideia de ter zagueiros que avançam a criam superioridade nos lados. Os alas jogam bem abertos para facilitar a busca de espaço entre as linhas.

Recuperado de lesão, Daniel Alves deve começar a partida. Destaque nas últimas vitórias, o meia Martín Benítez tem sido o principal articulador. Os jogadores "compraram" a ideia do treinador que, em muitos aspectos, deu continuidade ao trabalho de Fernando Diniz. O time quer sempre ficar com a bola.

Sistema da histórica vitória sobre o River Plate na Argentina, o 3-5-2 resolveu alguns problemas defensivos que culminaram do Palmeiras nas derrotas no Mundial de Clubes, Supercopa e Recopa. Mas também ajudou o time a melhorar a produção ofensiva. Com a ligação dos zagueiros com os alas ou os atacantes Rony ou Luiz Adriano e a grande fase de Raphael Veiga nos lançamentos e finalizações, o time ganha objetividade e verticalidade.

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