É com muito pesar que nós, da diretoria e da Comissão de Igualdade Racial da OAB de Bauru, recebemos a perda tão sofrida e tão injusta do nosso estimado presidente, dr. Mario Henrique da Luz do Prado.
O dr. Mario, ou Marinho, como era chamado pelos amigos, sofreu na pele a dor das lutas que essa comissão batalha para que não existam. Utilizando palavra que comumente estava em seus textos, e que aqui reproduzimos, como homenagem, foi grande soldado no combate às "bazófias" dos racistas! Sua "Premissa Constitutiva" de vida foi sempre ser fiel aos seus ideais, e sempre lutar ativamente para que o mundo fosse um lugar melhor.
Mário, nós da diretoria e da Comissão não temos palavras para expressar o sentimento terrível que é não mais tê-lo como nosso líder. É uma mistura de vazio, revolta, tristeza imensa, e saudade sem fim. É dor gigantesca.
Perdemos um companheiro de batalha, um ser humano esplêndido e inigualável. Acima de tudo, perdemos um irmão! Como musicou Renato Russo, "é tão estranho, os bons morrem jovens, assim parece ser quando me lembro de você, que acabou indo embora cedo demais".
"Mas ninguém me ouviu, não me
ouviram um nada
Pois minha voz parecia dublada
Pois um preto não pode falar inglês
Segundo o projeto de sociedade
burguês
Então, meu amigo, ei de falar
Então ei de mui alto falar
Então ei de gritar
Tão alto como gritaram aqueles
Que levaram chibatadas em
seu dorso
Para lhes dizer que não haverá
Nem sangue, nem carne, nem osso
Enquanto um só homem estiver a
lutar"
Poema 'Preto, Pardo, Negro', do dr. Mario Henrique da Luz do Prado, morto pela Covid.