Londres - Uma pesquisa israelense, publicada na quinta-feira, 20, na revista científica Journal of Clinical Investigation, indicou a presença de anticorpos contra a covid-19 em bebês cujas mães foram vacinadas com a Pfizer/BioNTech. No Brasil, o primeiro caso de um bebê que herdou anticorpos da mãe, imunizada com a Coronavac, também repercutiu desde quarta-feira, 19 (leia abaixo), como o site do jornal, jcnet.com.br, noticiou. A notícia é positiva, mas imunologistas alertam que os resultados podem não garantir imunidade e que os anticorpos tendem a decair com o tempo.
Em Israel, o estudo observacional reuniu 1.094 mulheres de oito hospitais do país. As amostras foram coletadas entre abril de 2020 e março de 2021 após o parto e divididas em três grupos: (1) participantes que receberam a vacina entre janeiro a março de 2021; (2) participantes que não receberam a vacina e que tinham resultados PCR positivos para a Covid-19; e (3) participantes que não foram vacinadas nem tinham documentação sobre a infecção.
A sorologia de sangue do cordão umbilical demonstrou que a vacinação com a Pfizer/BionTech transmitiu uma "robusta resposta imunológica" para o feto, inclusive com a mesma concentração de anticorpos presentes na mãe. A proporção de anticorpos foi a mesma em comparação entre as mulheres que foram vacinadas e infectadas pelo coronavírus.
O QUE JÁ SE SABE
Segundo o imunologista e professor da USP Jean Pierre Schatzmann Peron, pesquisador-líder da Plataforma Científica Pasteur, a transmissão vertical de anticorpos já é conhecida. "Evolutivamente, o bebê herda os anticorpos da mãe através da placenta e só a partir do 6º mês é que consegue produzir as próprias respostas imunes", explica.
Pesquisas anteriores com vacinas contra coqueluche, tétano e gripe já apontavam respostas semelhantes.