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Ritmo de mortes de pessoas a partir dos 80 anos tem queda, mas não zera

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Iniciada em fevereiro deste ano, a vacinação diminuiu o ritmo de mortes causadas pela Covid-19 entre idosos acima dos 80 anos em Bauru, mas não livrou totalmente esse público das tristes estatísticas. Em julho de 2020, essa faixa etária chegou a representar 46,5% do total de óbitos na cidade, o que começou a mudar entre os meses de março e abril deste ano, quando eles passaram a corresponder, respectivamente, a 20,3% e 16% do perfil total das vítimas fatais da doença.

A Secretaria Municipal de Saúde explica que a vacinação ainda não está  100% finalizada para o grupo e que, embora já tenham provocado queda considerável de óbitos, os imunizantes são utilizados em caráter experimental e emergencial, com grau de efetividade ainda estudado na "vida real".

De fevereiro deste ano até a última terça-feira (25), foram registrados 89 óbitos de pessoas com 80 anos ou mais, em Bauru, em decorrência do novo coronavírus. Desse total, cinco tinham recebido ao menos uma dose dos imunizantes.

"Temos acompanhado todas essas questões. Em um dos óbitos, sabemos que a pessoa chegou a tomar as duas doses, mas não tinha dado o prazo de 15 dias da última aplicação. Infelizmente, isso pode acontecer. A esperança é de que a vacina reduza a mortalidade, não que reduza o óbito a zero", explica o diretor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Ezequiel Santos.

Outras pessoas que morreram, segundo ele, possuíam somente a primeira dose, mas alguma comorbidade associada, como cardiopatias, hipertensão, pneumopatias e diabetes. "São comorbidades que, para a Covid, ampliam muito a chance de morte, mesmo diante da primeira dose. A gente espera que, com o esquema vacinal completo, a gravidade da doença diminua, mas, em muitos casos, o organismo da pessoa idosa já está debilitado e a vacina não é suficiente", acrescenta o diretor do DSC.

'NÃO BLINDA'

A Secretaria Municipal de Saúde ressalta que, mesmo diante da vacinação, não há liberação para a vida normal. "A vacina é, hoje, mais uma forma de combate ao vírus, ela não blinda ninguém. As máscaras, o distanciamento e a higiene das mãos continuam sendo de extrema importância, até porque a efetividade da vacina ainda é estudada na vida real", observa Ezequiel.

A vacinação em pessoas acima dos 80 anos, que teve início em fevereiro deste ano, ainda não é considerada finalizada na cidade, porque uma certa quantidade de indivíduos teria ficado de fora, seja por receio de se imunizar ou por contraindicação médica, em razão de tratamento agressivo contra outra doença. O número de idosos pertencentes a este grupo e que não foram imunizados, contudo, não é detalhado pelo município.

Atualmente, a faixa com maior índice de letalidade em Bauru é formada por pessoas entre 50 e 60 anos.

EFETIVIDADE

Outro ponto elencado por Ezequiel Santos que explicaria o fato de a morte de idosos já imunizados não ter zerado é um estudo recente sobre a CoronaVac. Vale lembrar que a vacina do Butantan foi a que deu 'start' na campanha de imunização em Bauru e foi usada em peso para aplicação nos idosos.

A pesquisa, divulgada em 21 de maio, indicou que a CoronaVac apresentaria uma menor efetividade para pessoas acima dos 80 anos, apontando uma possível necessidade de revacinação desta faixa etária ainda em 2021.

Isto porque a taxa de proteção da vacina contra qualquer nível da doença em sua forma sintomática e após as duas doses aplicadas cairia conforme a idade, variando de 61,8% entre o público de 70 e 74 anos a 28% para pessoas acima dos 80 anos. Dados de efetividade sobre internação e óbitos, contudo, ainda são avaliados pelo estudo.

"Todos os imunizantes, sem exceção, até os utilizados há mais anos por nós, possuem um percentual de falha vacinal de até 5%. Nem todo mundo vai produzir o anticorpo", finaliza Ezequiel Santos.

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